bizi | 24.07.26

FOMO é aquele medo de ficar por fora. E, pelo visto, ele também entrou na pauta do marketing. Nesta edição, falamos sobre como a inteligência artificial está mudando o jeito de comprar, consumir conteúdo e tomar decisões — além das tendências que devem movimentar o mercado até o fim do ano. Se você passou a semana muito bizi, chegou a hora de colocar a leitura em dia.
Nesta edição, você vai conferir:
👉 Um resumo da semana com a IA multimodal, o “celular burro” de 2026, a Copa do Mundo movimentando marcas, TV conectada, Rock in Rio e muito mais.
👉 Como os agentes de IA devem movimentar US$3,35 trilhões em compras até 2030 — e por que as marcas precisarão convencer algoritmos, e não apenas consumidores.
👉 O que as pesquisas revelam sobre o 2º semestre: consumidores prontos para comprar, R$260 bilhões em beleza e os setores que devem puxar esse crescimento.
👉 Quatro tendências de comportamento que prometem marcar o fim de 2026, do retorno da propriedade física à busca por credibilidade, viagens por interesse e o mercado pet.

Fim da timeline para menores. A França aprovou uma lei que proíbe o acesso às redes sociais por menores de 15 anos sem autorização dos pais. A medida reacende um debate que já chegou às big techs: até onde vai a responsabilidade das plataformas sobre o tempo de tela e a saúde mental dos usuários?
FOMO 3.0. Patrick McGinnis, criador do termo Fear of Missing Out, acredita que a IA inaugura uma nova fase da ansiedade digital. Em vez de temermos perder algo que realmente aconteceu, passaremos a sentir medo de experiências, oportunidades e cenários criados — ou ampliados — pela inteligência artificial.
A IA fugiu do laboratório. Durante um teste de segurança, um modelo da OpenAI conseguiu burlar restrições e acessar a Hugging Face sem autorização. O episódio reforça que, além de criar IAs mais inteligentes, a indústria também precisará desenvolver formas mais robustas de controlá-las.
Você teria um celular sem acesso às redes sociais? O novo Light Flip, da Light, resgata o conceito dos “celulares burros”, mas com cara de 2026: câmera de 50 MP, conexão 5G e tela OLED. Em compensação, nada de redes sociais ou loja de aplicativos.
A IA já usa todos os sentidos. Os novos modelos multimodais conseguem enxergar, ouvir e falar ao mesmo tempo, entendendo imagens, vídeos, voz e texto em uma única conversa. Na prática, isso significa assistentes cada vez mais próximos da forma como percebemos o mundo. Algo bastante tecnológico, mas assustador na mesma proporção, não é mesmo?
A Coca-Cola já entrou em campo. Faltando dois anos para a Copa do Mundo Feminina de 2027, a marca lançou sua primeira campanha para o torneio, reforçando uma tendência: grandes patrocinadores estão começando a construir relevância muito antes do apito inicial.
Coronel Sanders de cara nova. Depois de mais de 70 anos, o KFC atualizou a identidade visual do fundador da marca. Um rebranding sutil que mostra como até os ativos mais icônicos precisam acompanhar as mudanças de linguagem sem perder reconhecimento.
A Copa já começou para as marcas. CazéTV e YouTube apresentaram o plano comercial da Copa do Mundo Feminina de 2027. Além da transmissão de todos os jogos, o projeto inclui conteúdos originais, ativações e formatos pensados para aproximar marcas e torcedores antes mesmo do apito inicial.
O Rock in Rio continua uma potência comercial. A edição de 2026 terá 14 patrocinadores, dois a mais do que em 2024, além de ampliar o número de marcas apoiadoras. O festival reforça que grandes eventos seguem sendo uma das principais vitrines para branding e experiências de marca.
O gol do título também virou campanha. Depois que Ferran Torres garantiu o bicampeonato mundial da Espanha, a Under Armour aproveitou o momento para destacar que o gol decisivo foi marcado com as suas chuteiras — em um torneio dominado pelas concorrentes. Um exemplo de como transformar um acontecimento esportivo em um ativo de branding.
A Copa fez a TV conectada ganhar ainda mais espaço. Dados da Samsung Ads mostram que 18,1 milhões de Smart TVs acompanharam o Mundial no Brasil. Quase metade assistiu apenas via streaming, enquanto 44% alternaram entre streaming e TV linear, mostrando que a disputa pela atenção do público acontece em várias telas ao mesmo tempo.

Enquanto muita gente ainda está planejando o segundo semestre, os consumidores brasileiros já estão com a lista de compras pronta.
Uma pesquisa da Rakuten Advertising mostra que 91% dos brasileiros pretendem fazer compras online no terceiro trimestre de 2026, um aumento de 4 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado. Além disso, 84% afirmam que pretendem gastar mais ou, pelo menos, o mesmo valor dos últimos meses, o que indica um consumidor mais confiante.
Entre as categorias mais desejadas estão: eletrônicos (57%), moda (52%), beleza e cosméticos (45%) e casa e decoração (39%), mostrando que o interesse vai muito além das compras essenciais.
E há um setor bem específico que deve concentrar boa parte desse movimento: segundo o IPC Maps 2026, os brasileiros devem movimentar R$260 bilhões só em produtos de higiene e beleza neste ano. O estudo mostra que o Sudeste concentra quase metade desse consumo (48,3%), seguido pelo Nordeste (18,4%) e pelo Sul (16,8%), reforçando que a categoria tem alcance nacional e segue como uma das mais relevantes para o varejo.
Fica claro que os dados apontam para um consumidor que segue disposto a gastar, principalmente em categorias ligadas ao bem-estar, ao autocuidado e ao estilo de vida.
Bom, a intenção de compra já existe. Agora, a disputa das marcas é simples: conseguir um lugar na lista antes que o carrinho seja fechado.

Chegamos ao segundo semestre de 2026 e, como era de se esperar, novas tendências começam a aparecer no radar das marcas.
Para entender o que pode ganhar força nos próximos meses, o Ad Age ouviu estrategistas, executivos e líderes de agências ao redor do mundo. O resultado é um retrato claro de consumidores que estão mudando a forma de comprar, viajar, confiar e até gastar dinheiro.
Entre os movimentos apontados estão o retorno da propriedade física, a busca por credibilidade em vez de autenticidade, as viagens guiadas por interesses e o crescimento dos gastos com pets.
Trouxemos um resumo de cada um deles para você ficar de olho:
📀 O retorno da propriedade física. Depois de anos apostando no digital, cresce o interesse por itens que podem ser guardados, colecionados e que realmente pertencem ao consumidor. Isso significa que Blu-rays, edições físicas de jogos e produtos colecionáveis voltam a ganhar valor em meio à fadiga digital.
🎓 Credibilidade acima da autenticidade. Ser “gente como a gente” já não basta. Em tempos de IA e desinformação, os consumidores querem ouvir quem realmente entende do assunto, de dermatologistas e baristas a especialistas e funcionários que vivem a experiência na prática.
✈️ Férias movidas por interesses. Principalmente entre a Geração Z, o destino deixou de ser o único protagonista da viagem. Cada vez mais pessoas escolhem para onde vão a partir de um festival, um restaurante, uma livraria, um brechó ou qualquer experiência que faça sentido para seu estilo de vida.
🐶 Os pets viraram prioridade financeira. Com casa própria e filhos ficando para depois, muitos jovens passaram a investir mais nos animais de estimação. A pesquisa da Harris Poll mostra que 77% da Geração Z e dos Millennials mantêm um orçamento exclusivo para os pets, e muitos não abrem mão desses gastos, mesmo em períodos de aperto financeiro.
Em resumo, tanto o estudo da Rakuten Advertising quanto as tendências da Ad Age deixam claro um cenário repleto de oportunidade para as marcas: o consumidor continua gastando.
Mas, antes de abrir a carteira, ele está escolhendo melhor em quem confiar, quais experiências viver e o que realmente vale a pena levar para casa. Para as marcas, entender essas mudanças pode ser a diferença entre fazer parte da decisão ou ficar de fora dela.

Até hoje, o trabalho da publicidade era influenciar pessoas. Mas e quando quem escolhe o produto for um agente de IA?
Um novo relatório da WARC estima que, até 2030, os consumidores gastarão US$3,35 trilhões em compras facilitadas por agentes de inteligência artificial — mais que o triplo do previsto para 2026.
Para se ter ideia da dimensão, só no setor de mídia e publicações, os gastos devem crescer 401%, chegando a US$367,8 bilhões.
A mudança deve impactar praticamente todos os setores, mas alguns sairão na frente. Segundo o estudo, Telecomunicações e Utilidades Públicas devem movimentar US$410,3 bilhões em compras mediadas por IA até 2030, um crescimento de 611% em relação a 2026. Em seguida aparecem Serviços Financeiros, com alta de 235% e um mercado de US$237,8 bilhões, e Viagens e Transportes, que devem crescer 252,8%, alcançando US$275,6 bilhões.
Para essas empresas, convencer apenas o consumidor pode não ser mais suficiente, uma vez que também será preciso ser encontrado, compreendido e recomendado pelos agentes de IA.
A lógica por trás disso é relativamente simples: em vez de pesquisar, comparar e decidir sozinho, o consumidor poderá delegar essas tarefas para um agente de IA, que fará recomendações, filtrará opções e executará compras com base nas preferências do usuário.
No fim das contas, a decisão final continua sendo humana, mas o caminho até ela passa, cada vez mais, pela inteligência artificial.
A disputa pela atenção, então, está mudando de endereço: antes, as marcas brigavam por um clique. Agora, começam a disputar a preferência de um algoritmo.
E a sua marca? Ela está preparada para convencer clientes… ou também os agentes que vão decidir por eles?
🥰 Enquanto a IA aprende a fazer compras, a gente continua fazendo o que sabe de melhor: separar os assuntos que realmente importam para quem vive de marketing. Nos vemos na próxima edição do Bizi!
Por aqui, você vai encontrar um resumo de tudo que está rolando no mercado, de
forma prática, dinâmica, rápida e com um toque de humor
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