view e review: A queda dos cliques

bizi | 25.07.25

A chegada da inteligência artificial ajudou ou atrapalhou a busca online? Será que depende de quem pergunta? Ou depende de qual jornada estamos falando: das empresas ou dos usuários?

Dois estudos, da Authoritas e do Pew Research, divulgados pelo jornal The Guardian, contradizem o que diversos veículos mostraram recentemente. Segundo o editorial, os resultados de IA, na verdade, atrapalham o desempenho das empresas online e interrompem os cliques que seriam destinados para seus sites.

Do lado dos estudos

Tão polêmico quanto parece, o primeiro estudo, da Authoritas, foi realizado com sites do Reino Unido, e apontou uma queda de até 80% de cliques em sites. Detalhe: antes esses sites estavam ranqueados nas primeiras posições.

De acordo com a Authoritas, também houve queda de tráfego nos resultados que aparecem logo abaixo de um resumo feito por IA.

Já segundo a Pew Research, que analisou 69 mil buscas, a cada 100 links, os usuários clicaram em somente 1, localizado abaixo de um resumo feito por IA. 

“Isso mostra que as pessoas têm menos propensão a clicar quando aparece uma síntese do assunto no resultado.”
— Terra

Outros estudos também mostram a queda nos cliques:

  • Um estudo da Ahrefs, sobre dados de busca de março de 2024, mostrou que os sites perdem, em média, 34,5% para a Visão geral criada por IA;
  • Dados da WordStream indicam praticamente a mesma queda (35%) e um aumento de 58% nas “pesquisas de clique zero”, ou seja, usuários que perguntaram algo ao Google e se contentaram com os resumos gerados pela IA. (Tecnoblog)

Do lado do Google

Segundo o Google, tudo isso é intriga da oposição. A declaração oficial da big tech por meio de um porta-voz foi que “os estudos são imprecisos e baseados em premissas falsas”.

O Google ainda afirmou que os resumos de IA representam uma oportunidade para que as pessoas descubram novos sites — bem parecido com o que vimos na última edição do Bizi, sobre os anúncios na IA. E ainda afirmou que, de fato, envia bilhões de cliques para sites, todos os dias. 

Segundo a empresa, não há queda no tráfego direcionado por eles.

Faça o que eu falo…

Porém, a própria criação do Modo IA é uma forma de mostrar que a busca com inteligência artificial altera, sim, o comportamento online e todos os desdobramentos a partir dele.

Falamos mais sobre esse lançamento nessa edição, mas o fator principal é que o novo recurso é uma forma do Google não perder sua audiência, justamente por saber que os usuários estão pesquisando cada vez mais nas ferramentas de IA.

De acordo com os dados desses estudos sobre a queda de cliques, o Google não é mais o meio do caminho, mas está se tornando a parada final das buscas online. E isso é impactante porque, segundo o Terra:

  • Altera o comportamento não só na hora de buscar, mas na hora de parar a pesquisa. Ao invés de abrir vários sites e conferir visões diversas sobre um assunto (inclusive contrastantes), as pessoas confiam no resumo que a IA já fez sobre isso.
  • Redireciona o tráfego para um só local (o Google) e, com isso, também a veiculação de publicidade. Vale lembrar que sites jornalísticos e informativos contam com o tráfego para fazer valer a mídia paga em seus domínios; mas se não há tráfego, talvez também não faça sentido ter algo esperando por ele do outro lado.
  • Também é preciso considerar que a própria busca com IA agora vai contar com anúncios. E se o tráfego por lá está mais intenso e qualificado, é claro que os anunciantes vão querer estar por lá também.

Ainda é muito cedo para tirar conclusões, mas conta pra gente, você já tem uma opinião sobre isso? Será que o Google está errado? Ou será que essa é a nova forma de pesquisar e todos terão que se adaptar a ela?

+ Mais notícias da IA:

O novo recurso do YouTube Shorts consegue transformar fotos em vídeos por meio do modelo generativo Veo 2. A novidade é restrita aos usuários dos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia por enquanto, mas deve chegar a mais regiões ao longo do ano. 

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