bizi | 25.09.26

Dizem que quem tem boca vai à Roma. No mundo das marcas, isso poderia ser traduzido com um único conceito: parcerias estratégicas. No Bizi de hoje, você confere desde as collabs mais efetivas que o próprio Império Romano até as polêmicas mais recentes.
Nesta edição, você vai conferir:
🤝 Um resumo da semana, com notícias sobre a chegada da e.l.f. Cosmetics no Brasil, mais anúncios no Disney+, veto às casas de apostas, personalização de feeds e muito mais.
🤝 A nova geração de smart glasses da Meta, incluindo o inédito modelo com IA, mas sem câmera, focado no consumo de áudio (e em contornar as polêmicas).
🤝 As intenções de compra para o Dia das Crianças e porque a data promete movimentar o comércio online.
🤝 O polêmico anúncio da Converse, o importante contexto cultural e a reação do público.
🤝 Do outro lado do mercado, as parcerias entre Pinterest e Shopee, e Mercado Ads e Netflix, que deram certo e prometem muitos resultados.

Vocês querem uma fofoca? A e.l.f. Cosmetics estreia no Brasil com mais de 150 produtos, apostando no nosso país como motor para sua expansão internacional. A operação começa hoje (25) em parceria exclusiva com a Sephora e curadoria de itens alinhados ao consumo brasileiro, além de ativações de marketing focadas no ecossistema digital. E a primeira delas é a campanha e.l.f.ofoca, um filme cheio de gírias jovens para já deixar claro com quem vai ser essa conversa.
A mais nova trilionária do clube. A AMD superou a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado pela primeira vez, impulsionada pelo otimismo dos investidores na demanda por infraestrutura e chips voltados à inteligência artificial. Principal rival da Nvidia, a empresa se torna a quarta fabricante de semicondutores dos EUA a atingir essa marca.
Premium com anúncios. O Disney+ atualizou seus termos de serviço para permitir anúncios, patrocínios e conteúdos promocionais em todos os planos de assinatura, incluindo os mais caros, como o Premium.
Mas, segundo o AdWeek, não é tão absurdo ou diferente do que já era praticado. As publicidades poderão aparecer especialmente durante transmissões ao vivo, pois esse formato já prevê intervalos comerciais e o streaming precisa preencher isso de alguma forma. Já o conteúdo promocional nada mais é do que trailers de filmes e conteúdos da plataforma. Segundo o acordo atualizado, “à medida que continuamos a aumentar a amplitude e a profundidade do conteúdo que disponibilizamos, as circunstâncias podem exigir que certos títulos e tipos de conteúdo incluam anúncios”.
Uma sessão só de IA. A Play Store está preparando uma nova seção chamada de “Your creations”, que vai reunir e gerenciar aplicativos desenvolvidos por usuários com inteligência artificial via Google AI Studio. A ferramenta impulsiona o conceito de vibe coding (criação via linguagem natural), que facilita o compartilhamento dos projetos com outros usuários, sem as etapas tradicionais de publicação.
Cerco em torno das bets. Enquanto a concessionária Urbia expandiu o veto às casas de apostas para todos os eventos de terceiros no Parque Ibirapuera e outros sete parques públicos, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou em primeiro turno o PL 560/2025, proibindo anúncios do setor em eventos esportivos e transportes da capital. As medidas buscam proteger o entretenimento familiar e contam com apoio de marcas tradicionais incomodadas com a exposição conjunta. E aí, você acha que faz sentido?
IA na contratação. O LinkedIn lançou no Brasil a versão em português do Hiring Assistant, agente de IA criado para automatizar triagens, busca de perfis e contatos iniciais com candidatos. Nos testes da plataforma, a ferramenta reduziu em até 90% a necessidade de análise manual de perfis pelos recrutadores e elevou a taxa de aceitação de mensagens em 66%. O objetivo é liberar o RH do trabalho repetitivo para focar em etapas estratégicas, humanizadas e de avaliação de fit cultural.
Personalizando o feed. Nesta semana, duas novidades chegaram para quem quer ter mais controle que o algoritmo sobre o próprio feed: enquanto o “Taste Profile”, do Spotify, permite ajustar o feed com comandos em linguagem natural e incluir mais ou menos de determinado gênero, o YouTube lançou o “Custom Feeds”, uma ferramenta para criar vários feeds com conteúdos para rotinas e interesses específicos.
Ambas as novidades devolvem o controle ao usuário e permitem usar a inteligência artificial para dobrar o algoritmo a seu favor. No caso do Spotify, a novidade altera diretamente playlists como o Descobertas da Semana e a famosa retrospectiva Wrapped.

Depois de algumas polêmicas e crescentes preocupações com óculos que gravam pessoas sem seu consentimento, a Meta incluiu um novo modelo com IA, mas sem câmera, entre os anúncios do Meta Connect 2026, realizado nesta semana.
A nova geração dos smart glasses da marca trouxe muitas novidades, apostando cada vez mais em um dispositivo tão completo que dispensa o uso do celular por horas.
Entre os lançamentos, chamou a atenção o Ray-Ban Meta Audio, primeiro modelo desenvolvido para atender especificamente à demanda por áudio.
E o hype é real: de acordo com o Audio Pulse 2026, do Ibope, mais de 90% dos brasileiros consomem conteúdos de áudio em diferentes formatos e com frequência.
Porém, enquanto a Meta dirá que a proposta é que os óculos atuem como fones de ouvido superpotentes e melhorem a experiência com música, podcasts e chamadas, tem gente que interpreta diferente. Segundo a Forbes, a preocupação com a privacidade vs. exposição tem impacto, sim. Inclusive, estabelecimentos no Reino Unido chegaram a restringir o uso dos smart glasses em restaurantes, pubs e teatros.
Fato é que a Meta vem liderando esse mercado desde o início.
+ Do Meta Connect 2026:
Aqui, a marca resumiu as novidades do evento, incluindo a chegada do Muse, seu agente pessoal de IA, aos óculos inteligentes. A tecnologia permite ajudar os usuários com treinos, acompanhamento nutricional, compras e conversas em tempo real.

Na última edição de setembro, já estamos de olho nos insights do próximo mês.
Um levantamento do Serasa Experian monitorou as intenções de compra para o Dia das Crianças e descobriu que, dos 15,8 milhões de brasileiros que pretendem consumir na data, 88% vão fazer isso online — talvez uma sincronização com os hábitos das crianças conectadas de hoje.
As principais características desse público são:
Para o Serasa Experian, essa amostra representa mais do que intenção de compra, mas uma oportunidade para as marcas criarem “estratégias que combinem e-commerce, mídia digital, promoções e mensagens diferentes de acordo com o perfil de cada audiência”. (Serasa Experian).
Você também já tem suas intenções de compra para a data?
+ Dados para conferir:
Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o PIB brasileiro deve crescer 2% em 2026, em vez dos 1,6% previstos anteriormente. A revisão é motivada pela resiliência da demanda doméstica e políticas governamentais que seguraram o impacto do aumento de preços da energia, mas a inflação ainda persiste.
Uma pesquisa da Webmotors Autoinsights aponta que 71,4% dos brasileiros consideram comprar um carro elétrico ou híbrido em sua próxima aquisição; detalhe: só 9% dos entrevistados já possuem um modelo assim. O custo-benefício é o principal motivo.
De acordo com o Ad Intel Digital, ferramenta da Nielsen de monitoramento da publicidade nos streamings, os temas mais recorrentes nas campanhas foram tecnologia (14,75%), finanças (13,91%) e entretenimento (11,52%).

Recentemente, a Converse anunciou seu novo modelo, Chuck 70 X, criado em parceria com a cantora Karina, do grupo de K-pop aespa.
Tudo normal até aí: uma cocriação estratégica, um ensaio conceitual, grande repercussão nas redes sociais, mais um pouco de K-pop na mídia. Mas não do jeito que a marca esperava.
Não demorou nada para que usuários percebessem algo perturbador em uma das imagens de divulgação: a composição fotográfica das luzes e elementos lembra (e muito) uma alusão ao racismo e à Ku Klux Klan, organização supremacista branca criada nos EUA.
E se a gente olhar bem, tem fundamento: a ponta da característica estrela branca da marca sobre a saia, formando um triângulo bem no centro da imagem; o par de tênis “pendurados” ao lado, com o braço na sombra, criando um contraste esquisito; e o elemento que mais chama a atenção: não é a primeira vez.
Em outra collab recente, com a marca dinamarquesa Palmes, uma das imagens trazia uma pessoa pegando um par de tênis em uma árvore, o que também foi interpretado pelo público como uma referência a linchamentos.
Depois da polêmica, a marca pediu desculpas e reconheceu o erro, dizendo que entende que “essa imagem é profundamente perturbadora”. A empresa ainda disse que iria remover a imagem de todos os canais e locais onde ela apareceu e “faria melhor”.
Mas isso não pareceu surtir efeito no público. No perfil da marca no Instagram, não importa qual seja o tema dos posts, os comentários são sempre os mesmos: consumidores decepcionados, duvidando do pedido de desculpas e até convocando um boicote à marca.
De fato, é difícil de acreditar que uma marca com essa proporção (e esse histórico) tenha feito tudo isso “sem querer”. Quantas pessoas participaram do processo de aprovação dessas peças? O contexto foi considerado? Isso não foi mesmo suficiente?
Literalmente, não dá para dizer que não jogaram luz sobre o problema, ou que a polêmica não estava bem na cara. O alerta que fica para as marcas é: nunca ignorar o impacto do contexto cultural.
E você, o que achou?

Diferente do exemplo anterior, trouxemos uma parceria que realmente deu certo para fechar essa edição no tom que uma sexta-feira pede.
A partir de agora, criadores do Brasil e da Indonésia podem conectar suas contas de afiliados da Shopee ao Pinterest e transformar seus Pins em monetização.
Para o Pinterest, essa ação faz parte dos esforços de aproximar a descoberta de produtos, especialidade da casa, da conclusão de compra — inclusive, já falamos sobre isso antes.
Tudo parte da descoberta visual. No Pinterest, a busca geralmente começa a partir de uma necessidade já identificada, como “inspiração de looks” ou “ideias de decoração para casa”. A parceria com a Shopee conecta essa intenção com o ambiente de compra, permitindo marcar múltiplos produtos em um único Pin ou aplicar links automaticamente aos produtos elegíveis.
“No Pinterest, a inspiração pode se transformar em ação. Com a Shopee, tornamos a experiência de compra no Pinterest ainda mais útil ao conectar, de forma mais intuitiva, inspiração, recomendações de criadores e produtos, avançando na construção de uma experiência de busca visual e compra.”
— Tavane Gurdos, diretora geral do Pinterest no Brasil
E eles não foram os únicos a investir nas collabs estratégicas. Nesta semana, o Mercado Ads anunciou sua parceria com a Netflix Ads para compra programática de mídia em TV Conectada (CTV).
A integração é composta simplesmente pelo maior e-commerce da região e pela maior plataforma de streaming em engajamento.
A partir de agora, anunciantes no Brasil e no México poderão utilizar dados primários de mais de 131 milhões de compradores anuais do Mercado Livre para segmentar seus anúncios dentro da Netflix e atingir mais de 35 milhões de espectadores ativos mensais no Brasil e 29 milhões no México.
A proposta é atrelar o histórico de compras e intenção de consumo ao perfil de entretenimento do espectador e mensurar a jornada do consumidor do entretenimento à conversão no e-commerce.
Nesse caso, todo mundo ganha. Inclusive você, que agora sabe de todos esses insights.
💞 Outra parceria que sempre funciona muito bem é a nossa, concorda? Até a próxima edição, com muito mais insights quentinhos.
Por aqui, você vai encontrar um resumo de tudo que está rolando no mercado, de
forma prática, dinâmica, rápida e com um toque de humor
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