bizi | 23.10.26

Se você piscou, perdeu: a Kantar revelou as marcas mais lembradas na Black Friday, o ChatGPT liberou senha para conversas e a PepsiCo transformou salgadinho em reality no YouTube.
No meio disso tudo, uma dúvida ficou no ar: com influenciador de IA e chatbot dando dica de compra, em quem a gente ainda confia? Pelo visto, no creator que testa o produto, na comunidade do fandom e até num celular tijolão que promete te salvar das telas.
No Bizi de hoje, tem Black Friday, IA, Gen Z e um pouquinho de nostalgia para você fuçar com calma.
🛍️ Porque na Black Friday os creators engajam até 4,6 vezes mais que as marcas.
🤖 Como 68% dos consumidores já pedem ajuda à IA antes de chegar ao seu site.
👀 O que acontece quando o influenciador (e o público) não existe de verdade.
✨ O que é “farmar aura” e como a Gen Z constrói identidade com fandoms e games.
📞 E o celular tijolão, que promete salvar você do scroll infinito das redes.

🛍️ A Black Friday já tem suas favoritas (pelo menos na memória). Uma pesquisa da Kantar com 800 brasileiros que compraram na última edição mostra que os eletrônicos lideram a lembrança da data (38,4%), com a Samsung como marca mais citada (19,6%). E não adianta apostar em um canal só: 52% compraram online e na loja física. Já começou a montar a listinha?
🔒 Aquela conversa com o ChatGPT agora pode ter senha. Com o Locked Chats, a OpenAI permite bloquear chats com PIN, Face ID ou Touch ID, tirando essas conversas do histórico e da busca. Só não confunda: bloquear não é criptografar, e redefinir o PIN pode apagar as conversas de vez. Então, anota esse PIN, hein?
🍿 A PepsiCo levou o Doritos para a cozinha de um reality. A partir de 4 de novembro, o PepsiCo Chef 2026 reúne oito creators no YouTube, em seis episódios, cozinhando com Lay’s, Ruffles, Quaker e cia. E, além do entretenimento, o projeto apoia o Chef Aprendiz, que capacita jovens em situação de vulnerabilidade. Branded entertainment com gostinho de salgadinho.
🎨 Criar a campanha é a parte legal. O problema é adaptar para cada loja. Em artigo na AdNews, Victor Dellorto defende que o gargalo do marketing está no desdobramento manual de peças, não na grande ideia. Segundo a McKinsey, citada no texto, tarefas operacionais e de adaptação somam entre 60% e 70% das atividades que podem ser otimizadas na área. Bom para a criação, que finalmente pode voltar a criar.

A Black Friday nem chegou e o feed já está lotado de “OFERTA IMPERDÍVEL”. O detalhe é que, no meio de tanto desconto, quem anda convencendo o consumidor não são as marcas.
Um estudo da BR Media mostra que creators geram até 4,6 vezes mais engajamento do que as publicações tradicionais das marcas na data. E olha que as marcas postam 5,4 vezes mais sobre Black Friday. Mesmo assim, os influenciadores ficam com 75% das interações, contra 19% das empresas.
O que pesa é menos o preço e mais a prova: vídeos mostrando compras tiveram engajamento de 5,48%, contra 0,85% das artes e vitrines de produto. Nos comentários, 45,2% das reações aos posts de creators demonstravam desejo pelo produto, contra 37% nos das marcas (a análise considerou Reels e TikTok sem impulsionamento). Aquele “comprei e testei pra vocês” vende, sim.
+ Vale saber:
Metade das publicações sobre a data sai antes da semana oficial. Quem guarda tudo para a sexta-feira vai disputar atenção no horário de pico.
“Existe uma diferença importante entre promover uma oferta e validar uma compra. Os creators conseguem responder às perguntas que naturalmente surgem ao longo da jornada de consumo.”
— Andrea Cabral
Diretora de Data Insights da BR Media

O Google ganhou concorrência na pesquisa de preço. Segundo o estudo A Era dos Agentes de IA no CRM, da Pmweb, 68% dos consumidores já usam ferramentas de IA para pesquisar produtos, tirar dúvidas e encontrar promoções.
Em outras palavras: antes de abrir o site da marca, muita gente já perguntou ao ChatGPT ou ao Claude o que comprar.
Se a recomendação começa no chatbot, não adianta só aparecer na hora da compra. Informações sobre produto, benefícios e disponibilidade precisam estar organizadas para que a IA entenda e indique a sua marca (e não a do concorrente).
Da porta para dentro, quem muda é o CRM (o sistema de gestão do relacionamento com o cliente). Segundo o estudo, as automações de fluxo fixo, com a mesma mensagem para todo mundo, dão lugar a agentes de IA que analisam histórico, interações e padrões de consumo para agir na hora certa, seja com uma oferta personalizada, seja reativando um cliente antes que ele suma.
Enquanto isso, as equipes trocam a configuração de disparos por mais estratégia e experiência. O material ainda traz estudos de caso do iFood e da Chevrolet.
Pelo jeito, o “oi, sumido” da marca vai chegar antes mesmo de você pensar em sumir.

Você seguiria a dica de alguém que não existe? Mais de 400 mil pessoas já seguem Morôni Duarte, personagem ultrarrealista criado com IA que não para de crescer no Instagram.
E, enquanto os influenciadores virtuais ganham palco, os consumidores sintéticos (perfis simulados por IA para prever como públicos reais reagiriam a campanhas e produtos) avançam nos bastidores. Segundo a revista Digiday, a Goodway Group (agência estadunidense especializada em varejo) já usa uma população sintética de consumidores no planejamento de mídia.
É daí que parte a provocação de um artigo da AdNews, assinado por Camila Pessanha: imagine uma campanha criada por IA, testada com consumidores sintéticos e apresentada por um influenciador que não existe. Eficiente? Talvez. Confiável? Aí são outros quinhentos.
O próprio texto traz o alerta, com dados do Gartner a partir de uma pesquisa com 1.006 consumidores norte-americanos: 65% acham que as marcas já produzem conteúdo demais com IA, 57% dizem que isso reduziu a confiança nas empresas e 43% passaram a buscar mais recomendações de pessoas reais.
Para a autora, a pergunta já não é se as marcas devem usar IA, mas em que ponto ela deixa de ampliar a conexão e começa a substituir a confiança.

Sair de casa, conseguir o primeiro emprego, ter estabilidade financeira… Para a Gen Z, esses marcos da vida adulta perderam espaço para outra coisa na construção de identidade: os interesses.
Pelo menos é o que mostra a 7ª edição do Culture Next, estudo anual do Spotify sobre jovens de 14 a 29 anos, que já somam 44% dos 777 milhões de usuários da plataforma. E o Brasil está entre os mercados em que isso aparece com mais força.
Os games, por exemplo, são o principal interesse dos jovens de 14 a 18 anos no mundo, à frente até da TV e do cinema. Já a academia deixou de ser só sobre condicionamento e virou projeto pessoal (com trilha sonora de anime, trap e funk, segundo o estudo).
O fandom virou quase um sobrenome. Não à toa, outra expressão analisada pelo Spotify é o “farmar aura”, que junta o “to farm” dos games (acumular recursos dentro do jogo) com a ideia de aura.
Em bom português: é cultivar presença, estilo e carisma!

Lembra dos celulares gigantes dos anos 1980? Pois um designer se inspirou neles para criar um aparelho com uma missão bem 2026: te tirar do smartphone.
O alemão Kevin Noki desenvolveu o ADHD ONE (ADHD é a sigla em inglês para TDAH), um “tijolão” feito com impressão 3D que se conecta ao iPhone por Bluetooth só para fazer e receber ligações.
A lógica é simples: o iPhone fica na gaveta, desde que dentro do alcance do Bluetooth, e o tijolão, com visor OLED, antena saliente e 19 teclas físicas, cuida das chamadas. Nada de notificação, rede social ou aquela olhadinha rápida que vira meia hora de scroll.
Mas calma: ele não substitui um celular, já que depende do iPhone por perto. E também não está à venda pronto. Por enquanto, Noki vende só os arquivos digitais para quem quiser montar o próprio.
Bom, pelo menos ninguém consegue rolar o feed num teclado de 19 teclas.
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