última news: Enquanto a gente descansava, a IA trabalhou 

bizi | 17.07.26

Semana passada teve feriado prolongado e, por aqui, também aproveitamos uma pequena pausa. Mas já estamos de volta.

Enquanto o Bizi descansava, o Google mudou a forma como os anúncios aparecem nas buscas com IA. Além disso, descobrimos que muitas empresas ainda treinam inteligência artificial com dados do século passado. Para fechar, ainda deu tempo de entender por que os algoritmos invisíveis podem influenciar mais o futuro das marcas do que os próprios consumidores.

Nesta edição, você vai conferir:

💘 Um resumo da semana com um gol histórico de Pelé recriado por IA, a Meta retirando do ar sua IA de imagens, a Copa do Mundo chegando aos cinemas, o novo mascote de São Paulo e muito mais.

💘 Como o Google criou uma nova disputa por atenção no AI Mode, em que anúncios, SEO e respostas da IA seguem caminhos diferentes.

💘 Por que alimentar a IA apenas com dados demográficos pode fazer sua marca produzir mais conteúdo… mas não necessariamente melhor.

💘 Os “algoritmos invisíveis” que podem mudar a forma como as marcas disputam atenção — e por que elas precisam aprender a conversar com as IAs.

💘 O que a pesquisa da Deloitte revela sobre a chegada definitiva da inteligência artificial às salas de conselho das empresas.

VIEW E REVIEW: Tudo o que rolou na semana enquanto você estava muito bizi para acompanhar…

Um gol recriado pela IA. A historiadora brasileira Anita Lucchesi e sua equipe usaram inteligência artificial do Google para reconstruir, pela primeira vez em vídeo, um gol histórico de Pelé que nunca havia sido registrado por câmeras. A tecnologia combinou relatos da época, fotografias e modelagem 3D para recriar a jogada. Ao todo, foram mais de 2.000 registros históricos reunidos para que isso fosse possível.

O mercado editorial está cada vez mais feminino. As mulheres seguem ampliando seu espaço na literatura brasileira, tanto como autoras quanto como protagonistas das estratégias das editoras. O movimento reflete mudanças no perfil dos leitores, impulsiona novos gêneros e mostra como a diversidade deixou de ser apenas pauta cultural para se tornar também uma oportunidade de negócio.

Copa do Mundo na telona. Depois de transformar transmissões esportivas em entretenimento digital, a CazéTV leva a Copa do Mundo para os cinemas em parceria com a UCI. A iniciativa reforça uma tendência que já aparece em shows e grandes eventos, transformando conteúdos ao vivo em experiências presenciais capazes de reunir comunidades e criar novas oportunidades para patrocinadores e anunciantes.

IA que virou recall. A Meta lançou o Muse, IA que criava imagens realistas de qualquer pessoa apenas com o @ do Instagram. Só que a ideia foi vista como um atalho para a criação dos famosos deepfakes e saiu do ar em menos de duas semanas, mostrando que, às vezes, o maior desafio da IA não é a tecnologia, é o bom senso mesmo.

São Paulo ganhou um mascote. Criado por Mauricio de Sousa, o Paulistinha celebra os 471 anos da capital com 91 esculturas espalhadas pela cidade, além de gibis gratuitos e ações culturais.

DATA NOSSA DE CADA DIA: A IA saiu do laboratório e entrou na sala do conselho

Até pouco tempo atrás, a inteligência artificial era assunto do time de tecnologia. Mas, agora, ela virou pauta do conselho de administração.

Prova disso é a pesquisa global da Deloitte, feita com 739 conselheiros e executivos de 59 países (64 brasileiros), que mostra que as prioridades das empresas estão mudando rapidamente.

Em 2025, as maiores preocupações das lideranças ainda eram volatilidade econômica, segurança cibernética e transformação digital. Mas, olhando para 2026, os rápidos avanços tecnológicos passam a liderar as discussões globais, enquanto, no Brasil, ficam atrás apenas do capital humano.

Não por acaso, 79% dos líderes brasileiros afirmam que seus conselhos passaram a dedicar mais tempo à estratégia e ao planejamento de cenários neste ano.

Outro dado chama atenção: 53% das empresas brasileiras pretendem aumentar as reuniões de estratégia entre conselho e alta gestão, e 20% planejam capacitar seus conselhos em temas como inteligência artificial generativa.

A pesquisa também mostra que tecnologia sozinha não resolve tudo.

Para 63% dos executivos brasileiros, o principal fator para construir organizações mais resilientes continua sendo uma comunicação aberta e transparente entre conselho e CEO.

No fim das contas, a IA pode até acelerar decisões, mas quem define a direção do negócio continua sendo a liderança.

E, ao que tudo indica, ela está começando a discutir tecnologia com muito mais frequência do que discutia há poucos anos.

+ Dados interessantes sobre o assunto:

  • 75% dos líderes brasileiros acreditam que a supervisão estratégica de riscos e o planejamento de cenários são as ações do conselho com maior impacto na resiliência das empresas.
  • 73% dos respondentes globais e 79% dos brasileiros dizem que os conselhos aumentaram seu envolvimento na definição de estratégias ao longo de 2025.

FRAMEWORK: Google e Modo IA: pagar para aparecer não significa ser recomendado

Se você imaginava que pagar por um anúncio no AI Mode do Google também ajudaria sua marca a aparecer como fonte citada na resposta, ou até a subir no orgânico de tabela, temos más notícias. 

Um estudo da SE Ranking, que analisou mais de 50 mil buscas comerciais em 20 segmentos, mostrou que anúncios, respostas da IA e resultados orgânicos são três disputas diferentes. E vencer uma delas não significa ganhar as outras.

Os anúncios já aparecem em 29,45% das buscas comerciais feitas no AI Mode — quase uma em cada três. Em mais de 70% dos casos, a IA exibe dois anunciantes ao mesmo tempo, colocando concorrentes lado a lado na mesma resposta.

O estudo também mostra que o Google reserva esse espaço principalmente para palavras-chave mais valiosas. Enquanto buscas com CPC abaixo de US$ 2 exibem anúncios em apenas 24,33% dos casos, esse número sobe para 53,56% quando o CPC passa de US$ 10.

Mas o dado mais interessante vem agora:

  • Comprar mídia não aumenta as chances da marca aparecer como fonte da resposta gerada pela IA. Apenas 11,53% dos anunciantes também foram citados pela IA na mesma consulta. E a sobreposição entre anúncios e os resultados orgânicos é ainda menor: só 2,32%.

Na prática, isso significa que uma marca pode comprar mídia, outra pode ser recomendada pela IA e uma terceira pode conquistar o topo do orgânico, tudo para a mesma busca.

Se antes existia uma única corrida pela primeira posição, agora são três provas acontecendo ao mesmo tempo.

E a sua marca? Ela está investindo apenas para aparecer… ou também para ser recomendada?

DEU RUIM: Marketing usa dados demográficos errados para alimentar IA

Imagine pedir para uma IA criar a campanha perfeita para “mulheres de 25 a 35 anos, classe B, moradoras do Sudeste”. Parece um briefing completo, mas, na prática, ele diz muito pouco sobre quem essas pessoas realmente são.

É justamente esse o alerta de um estudo da WARC, em parceria com Lions Advisory e TikTok, que ouviu mais de 400 líderes de marketing em diferentes países, incluindo o Brasil.

Apesar de toda a evolução da IA generativa, 67% das empresas ainda alimentam seus modelos com dados demográficos básicos, como idade, renda e localização.

O curioso é que 59% dos próprios executivos reconhecem que esse tipo de segmentação já não representa bem o comportamento das pessoas.

Afinal, duas pessoas da mesma idade e da mesma cidade podem consumir conteúdos completamente diferentes, participar de comunidades distintas e tomar decisões de compra por motivos opostos.

É aquele famoso post sobre o Marcelo D2 e Padre Marcelo Rossi, sabe?

É aí que entra um dos principais recados do estudo: a IA funciona melhor quando entende interesses, contextos e comportamentos, e não apenas características demográficas.

Só que poucas marcas já chegaram lá.

Apenas 17% utilizam sinais de comunidade para orientar a IA. Ou seja, analisam o que as pessoas comentam, compartilham, acompanham, criam ou compram em determinados grupos e nichos antes de gerar campanhas, conteúdos ou estratégias.

O impacto dessa diferença aparece nos resultados.

88% dos entrevistados afirmam que a IA aumentou a quantidade de conteúdo produzido, mas apenas 45% notaram uma melhora na qualidade.

Traduzindo: produzir mais ficou fácil, mas produzir algo realmente relevante continua sendo o desafio.

Para ajudar as marcas, o estudo propõe o framework S.C.A.L.E.. A ideia é selecionar os dados certos, conectar diferentes fontes de informação, ancorar as decisões em contexto, liderar o uso da IA com estratégia (e não deixar que ela trabalhe sozinha) e envolver comunidades reais no processo. 

Repare que, em nenhum momento, a recomendação é tratar “todo mundo de 25 a 35 anos” como se pensassem igual. O foco deixa de ser o perfil demográfico e passa a ser o comportamento das pessoas. 

Moral da história: a IA pode até escrever rápido. Mas, se o briefing continuar preso a planilhas demográficas, ela dificilmente vai entender as pessoas por trás dos números.

E a sua marca? Ainda conversa com “homens de 30 a 45 anos” ou já aprendeu a conversar com comunidades, interesses e comportamentos?

ESTA É NEW: Os algoritmos invisíveis que podem definir o futuro das marcas

Durante anos, as marcas disputaram espaço nos feeds das redes sociais e nas páginas de busca.

Agora, talvez precisem conquistar um novo público: os algoritmos.

Segundo o relatório Algoritmos Invisíveis, produzido pela Fundação Dom Cabral (FDC) em parceria com a Be Intelligence, estamos entrando em uma fase em que sistemas de IA deixam de apenas recomendar conteúdos e passam a tomar decisões, filtrar informações e até agir em nome das pessoas.

Na prática, isso significa que a próxima compra, reserva de hotel ou escolha de um restaurante pode não começar com uma pesquisa no Google, mas com um agente de IA decidindo quais opções fazem mais sentido para você.

Para as marcas, o desafio muda completamente.

Se antes bastava convencer consumidores, agora será preciso ser compreendido também pelas máquinas que fazem recomendações. Isso exige dados estruturados, reputação consistente, conteúdo confiável e presença em diferentes ecossistemas digitais.

O estudo também aponta que esses algoritmos serão cada vez mais “invisíveis”: atuarão nos bastidores, automatizando decisões sem que o usuário perceba, tornando a experiência mais fluida — e diminuindo o número de escolhas feitas manualmente.

Em última análise, o consumidor continua sendo humano. Mas o caminho até ele pode passar, cada vez mais, por uma conversa entre algoritmos.

E a sua marca? Ela já está aprendendo a conversar com a IA antes mesmo de falar com o cliente?

PREVISÃO DO MERCADO: O próximo marketplace pode não vender produtos, mas sim serviços

Quando a gente pensa em marketplace, normalmente vêm à cabeça Amazon, Mercado Livre ou Shopee. Mas a próxima onda desse modelo pode estar bem longe do varejo.

Um levantamento da Next Move Strategy Consulting projeta que o mercado global de marketplaces digitais deve movimentar US$ 2,29 trilhões até 2035, crescendo cerca de 11,5% ao ano.

A diferença é que o crescimento agora não deve vir da venda de produtos, mas da digitalização de setores tradicionalmente burocráticos.

Estamos falando de mercados como saúde, educação, imóveis, serviços financeiros, logística e até serviços jurídicos, onde processos presenciais e cheios de intermediários começam a migrar para plataformas que conectam a oferta e a  demanda em um só lugar.

Foi exatamente isso que aconteceu com o Airbnb na hospedagem, o Uber na mobilidade e o iFood na alimentação. O valor deixa de estar apenas no que é vendido e passa a estar em conectar pessoas, parceiros e dados.

Para as marcas, essa mudança também altera a lógica do marketing: em vez de disputar apenas atenção, cresce a necessidade de construir confiança, incentivar avaliações, facilitar descobertas e criar experiências que façam consumidores e fornecedores continuarem dentro da plataforma.

E quanto mais participantes ativos, maior o valor do marketplace.

Se a projeção se confirmar, a próxima década pode consolidar um movimento que já começou: empresas deixando de vender apenas produtos para criar ambientes onde negócios inteiros acontecem.

E a sua marca? Ela está preparada para participar de um marketplace ou para se tornar um deles?

Para acessar o estudo completo, clique aqui.

🥰 Depois do descanso, voltamos com o radar ligado nas principais conversas do marketing. Esperamos que esta edição renda boas ideias para a sua próxima campanha. Até a próxima!

Não perca nenhuma novidade!

Por aqui, você vai encontrar um resumo de tudo que está rolando no mercado, de forma prática, dinâmica, rápida e com um toque de humor

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    Os algoritmos invisíveis que podem definir o futuro das marcas

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    Marketing usa dados demográficos errados para alimentar IA

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