última news: Criatividade ou inteligência artificial?

bizi | 18.07.25

Criatividade ou IA? Confira insights sobre essa discussão, as campanhas da semana, os Panoramas de Marketing e Vendas da RD Station, lições do Cannes Lions 2025 e muito mais

Criatividade vs. IA: qual vence essa batalha? Parece que nos últimos meses, anos até, vivemos nessa dualidade. Será que ao usar a IA estamos perdendo características essenciais da nossa humanidade? Ou será que estamos potencializando nossas habilidades? Será que depende de quem usa? No Bizi de hoje trouxemos insights quentinhos das campanhas da semana, Bain & Company, Grupo Publicis, Panorama de Marketing e Vendas da RD Station e Kantar para te ajudar a responder essa questão. Vem conferir!


WOW: Wannabe, Encardidas e Eau de Cup

Mais uma sexta-feira, mais um Bizi para trazer insights quentinhos e novidades do mercado.

Assim, começamos a edição de hoje com as campanhas da semana selecionadas pela redação que, além de divertidas, sabem exatamente o que convence o público brasileiro.

Música, conexão e nostalgia

Para divulgar o Meli Music e conectar esse projeto especialmente com a Geração Z, o Mercado Livre apostou em Wannabe, o single mais famoso das Spice Girls e um dos hinos dos anos 2000.

Na nova campanha, a marca reforça a conexão entre música e fãs por meio da interação entre motoristas e entregadores com artistas e embaixadores do Meli Music.

“Apostamos em uma narrativa com easter eggs e situações pensadas para os superfãs, a fim de gerar identificação e engajamento.”
— Iuri Maia, diretor de estratégias de marca do Mercado Livre

Um rebranding inusitado

Depois de lançar uma nova cor, a Havaianas Buttercream, a marca das sandálias de borracha voltou atrás em um “rebranding”? “Renaming”? Na verdade, uma jogada de mestres!

Acontece que a cor de manteiga lembrava muito o status que um par das clássicas Havaianas brancas adquirem após um bom tempo de uso: encardidas. Foi assim que a internet interpretou esse lançamento e foi assim que a marca abraçou a ideia e mudou o nome do produto para Encardidas.

Quem entrar no site da marca agora, além de se deparar com um banner contando essa façanha, se procurar por “encardidas”, vai cair diretamente no produto (e a gente realmente testou antes de falar aqui).

Eau de Cup

Não, não é o novo perfume do mercado; pelo menos não como você está imaginando.

Em mais uma campanha que mistura um pouco de produto com altas doses de nonsense e provocação, a Cup Noodles usou a estética das propagandas de perfume para falar dos novos sabores, Queijo Nacho e Parmegiana de Carne.

A linguagem irreverente é a assinatura da marca e, por isso, conquista tanto os fãs do Cup, principalmente das gerações mais novas — não é coincidência!

Detalhe interessante, caso você não note: tomate é tão fruta, que é a nota de topo dos novos lançamentos, rs.


DATA NOSSA DE CADA DIA: O conflito entre criatividade e IA

Criatividade vs. IA

Desde que o Bizi é Bizi, falamos aqui sobre as novidades, polêmicas e oportunidades da inteligência artificial. Não necessariamente nessa ordem. 

E, cada vez mais, percebemos que esse é mais um dos assuntos da atualidade que tendem a extremos: de um lado, empresas que mergulharam de cabeça nas ferramentas de IA e já estão colhendo os resultados; do outro, céticos e resistentes mesmo às melhores promessas da tecnologia. Você já sabe de que lado está?

Para exemplificar, trouxemos dois artigos:

  • Um estudo recente da Bain & Company mostrou que o uso de ferramentas de IA pode levar a um crescimento médio de receita 6x maior que a concorrência, elevando os gastos médios com marketing em apenas 1,5x;
  • E uma entrevista ao Ad Age, em que o presidente e CEO do Grupo Publicis (um dos maiores grupos de comunicação do mundo), Arthur Sadoun, declarou que esta “nunca será uma empresa de IA”.

Benefícios para quem persiste

O estudo da Bain & Company mostra vantagens especialmente para quem apostou primeiro e insistiu (ou ainda está insistindo) nos resultados.

De acordo com o material, empresas na vanguarda da tecnologia são 10x mais propensas a considerar a IA e o machine learning como essenciais para o negócio. Além disso, elas também têm mais chances de ter 25 ou mais casos de uso de IA em produção no momento.

A pesquisa ainda listou 4 pilares dos negócios que estão sendo impulsionados a partir da incorporação da IA:

  • Abrangência da IA: líderes de marketing estão incorporando a tecnologia em todos os pontos da jornada — da experiência do cliente à otimização de campanhas.
  • Obsessão pelo consumidor: líderes que adotam a IA também são mais propensos a investir em dados, análises e geração de insights do consumidor.
  • Experimentação contínua: empresas que possuem essa cultura têm 8x mais chances de rodar 100 ou mais testes de marketing mensalmente. E, além disso, esses testes também contribuem para uma visão integrada do consumidor.
  • Destaque no mercado: segundo o estudo, líderes que usam a IA conseguem equilibrar melhor ações de marca com tecnologias e automação de marketing, levando a mais eficiência e redução de custos, inclusive com agências.

Resultados para quem resiste

Do outro lado, na entrevista de Arthur Sadoun para a Ad Age, o executivo acredita que a IA não é o único caminho, muito menos que a tecnologia cause a queda da indústria publicitária. 

“Ouço a cada trimestre, há nove anos, que as plataformas vão nos engolir. Nove anos depois, o [Publicis] dobrou de tamanho e mais que dobrou seu valor de mercado.”
— Arthur Sadoun, Ad Age

Sadoun reconhece que a IA desacelerou a contratação em algumas áreas e impulsionou outras, mas não espera que isso afete seu grupo. Na matéria, ele relembra que o Publicis passou de 70 mil pessoas em 2017 para 110 mil pessoas agora. 

Inclusive, Sadoun pontou dados do Publicis que desmentem o declínio de clientes e investimento em agências. Esse foi um dos motivos do WPP ter cortado sua projeção seu crescimento recentemente, mas o CEO enxerga de forma diferente.

De acordo com ele, os clientes estão investindo em frentes diferentes, como gerenciamento de dados e mídias mais inovadoras — mas, definitivamente, não estão investindo menos. Sadoun relembra que a receita orgânica do Grupo Publicis cresceu 5,9% no segundo trimestre deste ano.

E, então, alguma dessas abordagens faz mais sentido para você? 

Por aqui, seguimos observando os dois lados desse caminho que às vezes se cruza e muitas vezes se unifica.

+ Continue no tema:

Neste artigo da Exame, o colunista Victor Trujillo sugere um novo conceito para esse momento de mercado: o mind-to-machine. Para ele, ser Top Of Mind Awareness não é mais um diferencial, mas a única forma de existir em meio às máquinas. 


FRAMEWORK: Principais dados dos Panoramas de Marketing e Vendas 2025, da RD Station 

Todos os anos, a RD Station roda uma pesquisa superimportante para entendermos a situação atual do mercado de marketing e vendas: são os Panoramas da RD Station

Neste ano, a pesquisa conversou com mais de 3.800 profissionais do Brasil, além de analisar os milhares de dados de suas próprias ferramentas.

Juntos, os Panoramas de Marketing e Vendas 2025 trazem diversos dados sobre várias frentes. Para caber na news, nos concentramos nas principais descobertas sobre:

  • Integração entre marketing e vendas
  • Marketing
  • Inteligência artificial

Vem conferir:

“Os dados do Panorama de Marketing e Vendas 2025 mostram que o mercado está em um momento decisivo. As empresas precisam ir além das ferramentas e adotar uma abordagem mais estratégica, integrando tecnologia, processos e equipes para alcançar resultados consistentes.”
— Vicente Rezende, CMO da RD Station

De fato, algumas das tendências apontadas pelo material seguem essa lógica:

  • Conteúdos mais pessoais e autênticos (52%)
  • Redes sociais que promovam mais conexão com o público (41%)
  • Humanização em bots e automações (39%)
  • Inteligência Artificial como commodity (33%)

Os Panoramas da RD Station contam ainda com muito mais dados e insights, inclusive sobre estratégia conversacional, foco em vendas e resumos por segmento.

Este é um material gratuito, disponível neste link. Vale a pena conferir mais!


VIEW E REVIEW: Cinco conclusões do Cannes Lions 2025, segundo a Kantar 

Já falamos bastante sobre o Cannes Lions 2025 aqui no Bizi, mas trouxemos o festival de novo por dois motivos: uma lista de cinco temas centrais do festival, divulgada pela Kantar esta semana.

Depois das polêmicas recentes em torno dos prêmios desta edição, principalmente (e infelizmente) os brasileiros, nossa intenção aqui não é criticar abertamente as agências ou anunciantes, mas trazer algumas reflexões: 

Até que ponto esses cases realmente são espontâneos? Até que ponto seus resultados são genuínos? Essas campanhas realmente provocaram mudanças no mercado ou os vídeos de inscrição foram só mais uma campanha muito bem montada por especialistas nessa área? Esse ainda é o festival que celebra a criatividade humana ou uma referência de manipulação e dados inflados?

Depois de passar o frisson da competição, comemoração, avaliação e até punição, a organização do Cannes Lions criou um novo código de conduta, com novas regras — como falamos nesse Bizi.

Definitivamente, essa revisão de cases não é uma novidade deste ano. Mas, novamente, é uma oportunidade de repensar como estamos fazemos a publicidade. Afinal, em tempos de deep fakes, nunca foi tão importante saber e investir no que é realmente autêntico.

“Estamos entrando em uma nova era: definida não pelo que a criatividade pode fazer, mas pela capacidade dos sistemas da indústria em sustentar seu valor, verificar suas alegações e garantir sua integridade.”
— Simon Cook, CEO do Cannes Lions

Por isso, achamos muito conveniente essa lista de aprendizados, feita por Milton Souza, Managing Director Insights da Kantar. E, claro, trouxemos um resuminho Bizi para você:

1. Incerteza em alta

Com conflitos políticos, disputas tarifárias e aumento de preços em quase todos os setores, os cases de destaque no Cannes Lions mostram com frequência “como se comunicar de forma eficaz em um mundo cada vez mais imprevisível”.

Todos esses pontos estão mudando o comportamento dos consumidores e alguns até deixam de comprar algumas coisas. O desafio dos profissionais de marketing é entender essa nova realidade do consumidor e conseguir se conectar com ele — não só para vender, mas para oferecer apoio significativo.

Como exemplo, Milton traz a campanha Price Packs, da rede alemã Penny.

2. Construção de marca vs. performance

Para o executivo, esta edição deixou clara que construir marca é um ponto a mais, não uma substituição à performance. É uma questão de “e” e não “ou”.

“Segundo modelagem da Kantar, uma redução de 50% no investimento em mídia por seis meses causa apenas impacto moderado na lembrança da marca. Já um corte total pode causar danos duradouros, levando anos para se recuperar.”
— Milton Souza, Kantar

Para exemplificar o poder da consistência na construção de marca, Milton traz a campanha Real Beauty, da Dove. Também a citamos nesta edição.

3. A eficácia dos criadores

De acordo com Souza, esses personagens não são essenciais somente para conectar a marca com comunidades engajadas, mas para conquistar um lugar definitivamente na cultura. 

Segundo ele, neste ano, os criadores estavam por todos os lados e campanhas no Cannes Lions. E os dados mostram o porquê: segundo o banco de dados Context Lab da Kantar, conteúdos gerados por criadores que associam claramente uma marca, trazem um impacto muito maior no valor dessa marca.

Foi assim que aconteceu no case Vaseline Verified, da Vaseline.

4. Atenção aos detalhes: criatividade conectada

A mídia está cada vez mais fragmentada, mas para alcançar o sucesso, peças e campanhas precisam estar cada vez mais conectadas. Dados da própria Kantar comprovam que a conectividade das campanhas multiplica sua eficácia. 

“Antes de 2014, os efeitos de sinergia representavam menos de um quinto do impacto total de uma campanha. Hoje, são quase a metade.”
— Milton Souza, Kantar

Principalmente no cenário multicanal que vivemos, cada ponto de contato reforça os outros e aumenta o impacto de todos. E o exemplo concreto é a campanha Beer with Latin Vibe, da Desperados.

5. Infusão de IA

Por fim, é claro que a IA não podia ficar de fora dessa lista. A tecnologia chegou de vez ao festival e, segundo Milton, ela é “uma força estratégica que está transformando a publicidade, ampliando o acesso, acelerando a produção e mudando o controle criativo”. 

Mas a condução dessa transformação ainda pertence às marcas. 

Quem comprova esse argumento é a campanha Lidlize, da Lidl França, que colocou uma ferramenta de IA generativa para personalizar uma linha de produtos licenciados. O site da campanha caiu duas veze, tamanho foi o acesso, mas também garantiu o sucesso e o leão para a marca.


🤔 Como sempre, acabamos essa edição com mais perguntas que respostas, mas esse é nosso objetivo, afinal: agora a conversa continua do lado daí. Bom papo, bom final de semana e até o próximo Bizi!

Não perca nenhuma novidade!

Por aqui, você vai encontrar um resumo de tudo que está rolando no mercado, de forma prática, dinâmica, rápida e com um toque de humor

    Confira nossos outros conteúdos


    lançamentos e novidades da semana, otimismo dos brasileiros, adoção de IA, Tiny Desk Brasil e mais.
    última news:

    Você está otimista quanto ao futuro?

    IA da Meta, Keeta no Brasil, compra da Warner e muito mais
    view e review:

    Tudo o que rolou na semana enquanto você estava muito bizi para acompanhar…

    54% dos brasileiros estão otimistas com a economia 
    data nossa de cada dia:

    54% dos brasileiros estão otimistas com a economia 

    Adoção de IA nas empresas ainda está abaixo do esperado
    deu ruim:

    Adoção de IA nas empresas ainda está abaixo do esperado

    Estreou o Tiny Desk Brasil 2026 
    não é cinema, mas é hype:

    Estreou o Tiny Desk Brasil 2026 

    6 mitos sobre a IA e dados que os contestam.
    esta é new!:

    6 mitos sobre a IA e dados que os contestam

    73% das pessoas têm medo de que seus prompts vazem.
    data nossa de cada dia:

    73% das pessoas têm medo de que seus prompts vazem

    As cervejas zero no Carnaval.
    put@ case, meo:

    As cervejas zero no Carnaval

    Tudo o que rolou na semana enquanto você estava muito bizi (ou pulando Carnaval) para acompanhar…
    view e review:

    Tudo o que rolou na semana enquanto você estava muito bizi (ou pulando Carnaval) para acompanhar…

    A cura pra sua ressaca de news
    última news:

    A cura pra sua ressaca de news