bizi | 21.08.26

De acordo com o relatório “AI & Creativity Report 2026: The Cost of the Shortcut”, do festival de design D&AD, o número de cases inscritos que utilizaram IA saltou de 10,7% em 2025 para 27,6% em 2026.
Esta é a segunda edição do relatório, que reúne perspectivas de 197 líderes criativos sobre o impacto da IA no trabalho criativo, com o objetivo de entender o custo real dessa mudança.
Para o D&AD, a simples presença da IA em um trabalho não determina sua qualidade, portanto, ele também não tem vantagem ou desvantagem na premiação. Na verdade, o assunto é muito mais complexo do que isso.
Segundo o material, a IA tem suas vantagens e uma das mais apontadas é o ganho de velocidade no processo criativo.
De acordo com um dos entrevistados, uma pesquisa que levaria uma semana de trabalho pode ser concluída em 15 minutos com o auxílio da tecnologia. Ao lado dos ganhos com valor e precificação, isso projeta as agências na frente, mas não necessariamente faz os trabalhos ou os profissionais chegarem mais longe.
O que importa é o tempo que sobra. Enquanto boa parte das equipes transforma essa vantagem em maior volume de entregas e ciclos de aprovação mais curtos, o ideal seria ampliar o tempo do desenvolvimento das ideias, como pesquisa, análise e desenvolvimento criativo.
Aliás, esse receio de “confundir eficiência com eficácia” também foi apontado pelo estudo “The State Of AI Inside US Marketing Agencies 2026”, da Forrester em parceria com a 4As.
De acordo com o material, o aumento da produtividade é o principal motivo pelo qual as agências adotam a tecnologia:
Para Jay Pattisall, vice-presidente e principal analista da Forrester, a IA transformou as agências de marketing, mas, embora essa adoção tenha aumentado a produtividade, agora é preciso “rever suas expectativas e investir em criatividade, talentos e desempenho de marketing”.
Voltando ao relatório do D&AD, a análise aponta duas versões da indústria:
O modelo do atalho, que utiliza IA para comprimir as etapas do processo que envolvem custos. Aqui, tarefas de nível júnior são as primeiras a desaparecer, mesmo que haja ganhos, a precificação para o cliente continua a mesma e não há nada documentado sobre essas ferramentas ou seu custo.
E o modelo baseado no julgamento, que trata a IA como infraestrutura, e não como estratégia. O tempo economizado vira reinvestimento, os clientes pagam um valor diferenciado e existe um posicionamento claro sobre ética e custos no uso das ferramentas.
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