bizi | 02.10.26

A inteligência artificial já entrou no planejamento estratégico, no orçamento, no keynote da liderança e, provavelmente, naquele slide com gradiente roxo que diz “o futuro é agora”.
Na operação de verdade, o cenário é bem menos cinematográfico.
Um estudo da BearingPoint aponta que apenas 13% das empresas pesquisadas estavam no caminho certo com suas iniciativas de IA. Quase três quartos já relatam algum resultado financeiro positivo, mas menos de um terço conseguiu avançar além dos pilotos.
Traduzindo do corporativês: provar que funciona é uma coisa. Fazer funcionar na empresa inteira, com sistema legado, jurídico, segurança e processos reais, é outra conversa.
E os maiores obstáculos têm pouquíssima cara de ficção científica:
É o encontro da IA de 2026 com aquele sistema interno que ninguém ousa mexer porque “se cair, ninguém sabe subir de novo”.
Os resultados financeiros também dão uma pista importante: cerca de 24% das empresas disseram ter reduzido custos em pelo menos 10%, enquanto apenas 4% registraram crescimento de receita nessa mesma proporção.
Ou seja, por enquanto a IA parece estar sendo bem melhor em apertar parafusos da operação do que em abrir novas torneiras de receita.
China e Estados Unidos aparecem à frente na implementação abrangente, com 20% e 18%, respectivamente. Na Alemanha, são 8%. Já a parcela geral de empresas com IA profundamente integrada às operações passou de 7% em 2025 para 11% em 2026.
Está avançando? Está.
Na velocidade das apresentações sobre transformação digital? Aí já é outra história.
+ Um dado para ficar de olho:
Quase dois terços das empresas pesquisadas estimaram ter ao menos 10% de excesso de pessoal. O estudo não diz que esse contingente necessariamente será substituído por IA, então sem manchete de “robôs vêm buscar seu crachá” por enquanto. Mas o número coloca mais lenha na discussão sobre produtividade, automação e desenho das equipes.
A fase do “olha o que esse prompt faz” foi divertida. Mas, agora começam a governança, a integração e a escala. Também conhecidas como: a parte que não vira post bonito no LinkedIn.
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