framework: Mulheres são as mais afetadas em demissões no setor de tecnologia

bizi | 07.03.23

E, por falar em demissão, no setor tech isso ainda tem um agravante: as mulheres sofrem muito mais com a decisão — e dessa vez não tem nada a ver com voluntariado.

Uma pesquisa da plataforma de inteligência de talentos Eightfold AI, baseada nos recentes layoffs do mercado, mostrou que as mulheres têm 65% a mais de chance de serem demitidas de empresas de tecnologia.

E o Twitter está aí para provar que uma polêmica só é pouco. Segundo uma reportagem da Reuters, enquanto as demissões de mulheres ocuparam 57% do total de dispensas, apenas 47% dos homens passaram pela mesma situação.

Já é desproporcional, mas se mesmo assim alguém olhar e achar que não é tanto assim, vale lembrar que as mulheres são minoria no setor: cerca de menos um terço do mercado de tecnologia é ocupado por mulheres (Deloitte, 2022).

Um exemplo super impactante dessa situação foi a demissão da diretora de gerenciamento de produtos do Twitter, Esther Crawford, que chegou a dormir no escritório da empresa e, mesmo assim, não escapou da última leva de demissões da big tech. 

Quando se trata do Brasil, o número pode ser ainda mais alarmante. Um levantamento do banco de dados Layoffs Brasil mostrou que quase 70% das pessoas afetadas pelas demissões em massa no país são mulheres.

Segundo Juliana Fiuza, CPO da empresa de TI Defi10x e cofundadora da aceleradora de talentos mesttra, isso faz com que muitas mulheres repensem suas trajetórias profissionais e tendam a seguir outras jornadas, um sintoma puxando o outro.

De acordo com a pesquisa Women in Tech, da consultoria PwC, a falta de representatividade e incentivo para seguirem carreira, envolvidos por muitos preconceitos e misoginia, é a causa principal dessa desigualdade.

Vamos fazer um teste rápido? Pense aí e me fale 3 nomes de mulheres famosas na tecnologia. Se você conseguiu, perfeito! Mas a maioria das pessoas não consegue lembrar ao menos de um nome.

Apenas 22% dos pesquisados conseguiram lembrar o nome de uma mulher famosa na área, enquanto 66% lembraram de nomes masculinos.

No relatório de diversidade apresentado pela Meta no ano passado, a porcentagem de mulheres na liderança teve um tímido aumento de 36,7% para 37,1%. Mas depois da onda de layoffs, essa conquista já ficou obsoleta.

Apesar dos números pessimistas, os especialistas continuam otimistas quanto aos espaços femininos nas empresas.

De acordo com a consultoria EXEC, especialista na seleção de profissionais de tecnologia, o setor está no top 5 que mais contratam mulheres para cargos de diretoria e C-level desde 2021.

Vamos torcer — e fazer o que for possível — para continuar no rumo da equidade.

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