última news: O custo da IA

bizi | 21.08.26

Quando não é você que faz o trabalho, mas recebe por ele mesmo assim, isso é custo, lucro ou roubo? No Bizi de hoje, a gente discute as novidades da inteligência artificial e qual é o papel da criatividade em um mercado dominado por ela. Vem ver:

Nesta edição, você vai conferir:

  • Um resumo da semana com lançamento do ChatGPT, vídeos no Reddit, notas no Spotify, a recuperação judicial das Casas Bahia e muito mais.
  • O número de cases com uso de IA no D&AD dobrou, segundo o relatório do festival. Confira mais detalhes sobre o futuro dessa relação polêmica e irremediável.
  • A Lacoste inaugurou sua nova modalidade de negócios no Brasil: o Café Lacoste, um local a mais para experimentar a marca em todos os sentidos.
  • Três tendências sobre eficácia criativa, de acordo com o relatório da WARC, elaborado com base nos premiados da categoria Creative Effectiveness do Cannes Lions 2026.

VIEW E REVIEW: Tudo o que rolou na semana enquanto você estava muito bizi para acompanhar…

ChatGPT para adolescentes

Na terça-feira, a OpenAI lançou o ChatGPT for Teens, uma nova versão da ferramenta para adolescentes de 13 a 17 anos. A novidade reforça o controle em áreas de maior risco, como violência, distúrbios alimentares e conteúdo sexual, além de aumentar controles parentais e proteções para reduzir o risco de dependência e incentivar o uso mais saudável do chat.

Uma das principais diferenças nessa versão é que, em vez de entregar uma resposta pronta ao usuário, o Modo Estudo utiliza perguntas para que ele mesmo chegue a uma conclusão e aprendizado.

Teste suspenso

Na mesma semana, a empresa suspendeu temporariamente testes de treinamento avançado (Reinforcement Learning) depois de identificar que o modelo Astra atingiu o nível “crítico” de capacidade cibernética, com habilidade de explorar vulnerabilidades de segurança de forma autônoma. A própria OpenAI reconhece que sua infraestrutura interna de pesquisa atual não é robusta o suficiente para garantir o controle e contenção desses modelos e só vai reativar os testes quando reconstruir esses ambientes.

Ritmo, é ritmo de festa

Nesta semana, o SBT celebrou seus 45 anos com a campanha “Há 45 anos fazendo o Brasil feliz”, destacando a transição de canal de TV aberta tradicional para um conglomerado de mídia diversificado. Em entrevista ao Meio & Mensagem, Daniela Abravanel Beyruti, filha de Silvio Santos, conta que o maior desafio da emissora agora é “ampliar os vínculos com as novas gerações sem renunciar aos diferenciais da TV aberta: credibilidade, confiança e curadoria editorial”.  

Seguindo a trend

Inspirado no TikTok, o Reddit começou a testar uma nova experiência: o Reddit em Vídeo, que transforma posts em conteúdos de áudio e vídeo, lidos por voz sintética ou humana com imagens/gameplays ao fundo.

Por enquanto, a plataforma está testando o recurso com comunidades selecionadas para medir o engajamento e entender se o formato parece autêntico, já que ele nasceu de forma totalmente espontânea, criado pelos próprios usuários do TikTok. O que o Reddit quer é reassumir e reter o consumo de suas próprias histórias dentro da plataforma, sem substituir o formato original. 

Run For Your Lives

Para comemorar 50 anos de banda, o Iron Maiden vai realizar uma tour diferente: em vez de shows, corridas de rua. E a primeira cidade do mundo a ser escolhida foi São Paulo, que receberá a Run For Your Lives no dia 10 de outubro para uma corrida com kits personalizados e show da banda cover depois da linha de chegada. 

Notas no Spotify

Quem também lançou um novo recurso nesta semana foi o Spotify, que agora deixa os usuários adicionarem notas às playlists para explicar por que uma faixa foi escolhida, contar uma história ou registrar uma memória. É o Playlist Notes, disponível em mais de 100 países de língua inglesa.

Segundo o Terra, essa é uma forma de trazer mais humanização e sociabilidade para a plataforma, em uma fase dominada por algoritmos de inteligência artificial. E para quem gosta de uma boa curadoria, isso aqui é um prato cheio. 

Alimentando a IA

Uma investigação da 404 Media apontou que a Amazon mantém uma divisão secreta que adquire livros antigos e raros, não para perpetuar as obras, mas para desmontá-las, escaneá-las e alimentar seus modelos de IA com dados exclusivos. À 404 Media, a Amazon só declarou que “compra livros por canais comerciais para aprimorar seus produtos e serviços”. 

A recuperação judicial das Casas Bahia

No início da semana, o Grupo Casas Bahia protocolou um pedido de recuperação judicial por dívidas de R$ 17,3 bilhões. Em meio ao processo, a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio apontou que a empresa demitiu cerca de 1,9 mil funcionários em apenas dois dias e fechou 298 lojas sem intervenção sindical prévia. Na terça-feira, a Justiça determinou a suspensão temporária das demissões em massa, além de impor restrições a novos cortes de funcionários sem negociação prévia.

Antes disso, a marca mantinha uma estratégia de visibilidade focada na brasilidade, com personagens como Bia do Brás e João Gomes, além de ações promocionais agressivas, como oferecer R$ 1 bilhão em créditos para compras parceladas na Black Friday de 2024. O cenário expõe a transição forçada de grandes varejistas brasileiras, que migram de uma era de expansão agressiva e altos aportes publicitários para uma fase de eficiência de caixa, renegociação de dívidas e foco estrito na sustentabilidade da operação.

Sem pagamento, sem notícias

A Austrália acaba de aprovar a lei News Bargaining Incentive, que impõe uma taxa de 2,5% sobre o faturamento publicitário das big techs que utilizarem notícias sem remunerar veículos de imprensa locais. Para escapar da taxa, as empresas precisarão fechar acordos comerciais com pelo menos 8 veículos — e parcerias com veículos pequenos e médios têm maiores incentivos de abatimento fiscal (200%). O valor arrecadado será revertido para um fundo de incentivo à veículos de imprensa locais.

Nova vacina contra o câncer

A vacina experimental contra o melanoma (intismeran), desenvolvida pela Moderna em parceria com a Merck utilizando tecnologia de mRNA, demonstrou uma redução significativa no risco de retorno e disseminação do câncer em pacientes de alto risco que passaram por cirurgia de remoção do tumor. A reação foi tão boa que as ações da farmacêutica dispararam no mercado global. 


DATA NOSSA DE CADA DIA: O número de cases com uso de IA no D&AD dobrou

De acordo com o relatório “AI & Creativity Report 2026: The Cost of the Shortcut”, do festival de design D&AD, o número de cases inscritos que utilizaram IA saltou de 10,7% em 2025 para 27,6% em 2026.

Esta é a segunda edição do relatório, que reúne perspectivas de 197 líderes criativos sobre o impacto da IA no trabalho criativo, com o objetivo de entender o custo real dessa mudança.

Para o D&AD, a simples presença da IA em um trabalho não determina sua qualidade, portanto, ele também não tem vantagem ou desvantagem na premiação. Na verdade, o assunto é muito mais complexo do que isso.

Segundo o material, a IA tem suas vantagens e uma das mais apontadas é o ganho de velocidade no processo criativo.

De acordo com um dos entrevistados, uma pesquisa que levaria uma semana de trabalho pode ser concluída em 15 minutos com o auxílio da tecnologia. Ao lado dos ganhos com valor e precificação, isso projeta as agências na frente, mas não necessariamente faz os trabalhos ou os profissionais chegarem mais longe.

O que importa é o tempo que sobra. Enquanto boa parte das equipes transforma essa vantagem em maior volume de entregas e ciclos de aprovação mais curtos, o ideal seria ampliar o tempo do desenvolvimento das ideias, como pesquisa, análise e desenvolvimento criativo.

“Parece haver muito mais conversa sobre IA do que trabalho realmente excelente sendo feito com ela.”
— Lisa Smith, Presidente do D&AD e Diretora Global de Design no Uncommon Creative Studio

Aliás, esse receio de “confundir eficiência com eficácia” também foi apontado pelo estudo “The State Of AI Inside US Marketing Agencies 2026”, da Forrester em parceria com a 4As.

De acordo com o material, o aumento da produtividade é o principal motivo pelo qual as agências adotam a tecnologia: 

  • É prioridade para 81% entre quem utiliza IA generativa
  • E para 63% entre quem usa agentes de IA

Para Jay Pattisall, vice-presidente e principal analista da Forrester, a IA transformou as agências de marketing, mas, embora essa adoção tenha aumentado a produtividade, agora é preciso “rever suas expectativas e investir em criatividade, talentos e desempenho de marketing”.

Voltando ao relatório do D&AD, a análise aponta duas versões da indústria:

O modelo do atalho, que utiliza IA para comprimir as etapas do processo que envolvem custos. Aqui, tarefas de nível júnior são as primeiras a desaparecer, mesmo que haja ganhos, a precificação para o cliente continua a mesma e não há nada documentado sobre essas ferramentas ou seu custo. 

E o modelo baseado no julgamento, que trata a IA como infraestrutura, e não como estratégia. O tempo economizado vira reinvestimento, os clientes pagam um valor diferenciado e existe um posicionamento claro sobre ética e custos no uso das ferramentas.

“A maioria das organizações já está trabalhando com elementos de ambos. Um deles é mais barato este ano. O outro ainda será uma indústria daqui a cinco anos.”
— The Cost of the Shortcut, D&AD

PUT@ CASE, MEO: Bater um papo no café é papo de jacaré

Caro bizi reader, perdão pela referência tão específica no título, mas não haveria nenhuma outra oportunidade de usar o refrão do P.O. Box. senão o lançamento do Café Lacoste (mesmo o símbolo da marca sendo um crocodilo).

O novo formato de empreendimento da marca foi inaugurado nesta semana no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, ao lado da boutique da grife e tudo reflete a identidade da marca: dos tons da decoração ao menu, com inspiração no legado esportivo. O menu, inclusive, é um blend entre a culinária francesa e cafés especiais do Brasil.

O Le Café Lacoste já é consolidado lá fora, mas essa é a primeira unidade do café na América Latina.

+ Lançamentos da semana:

Os Mini CDs da Coca-Cola voltaram em uma edição especial para o Rock in Rio 2026, unindo tecnologia e nostalgia. Com tecnologia NFC, os mini CDs permitem acessar, por aproximação com o celular, uma playlist exclusiva com curadoria dos artistas que vão se apresentar no espaço da marca no festival.

A marca não é a única a investir na nostalgia: um dos brindes da 3 Corações é um Tamagotchi exclusivo com a identidade da marca. 

Em parceria com a BR Media, a Eudora Siàge conduziu a maior operação de UGC creators da marca, com 25 mil criadores. Foram 100 mil produtos distribuídos por todo o Brasil, com o objetivo de criar avaliações reais e conteúdos autênticos de prova social. 


PREVISÃO DO MERCADO: Três tendências sobre eficácia criativa 

Por falar em eficácia criativa, um relatório da WARC baseado nos ganhadores do Cannes Lions Creative Effectiveness, apontou três tendências importantes nesse setor.

A categoria premia os cases em que a criatividade gerou impacto sustentável nos negócios, como a campanha Pedigree Caramelo, da AlmapBBDO, que conduziu um dos maiores estudos sobre cães da história para criar uma nova raça, ou melhor, homenagear uma das raças mais amadas do Brasil: o vira-lata caramelo.

Com tradução do Meio & Mensagem, aqui vão as tendências:

1) Reescreva as regras culturais, em vez de só observar

Segundo a Warc, marcas que usam insights culturais de forma estratégica têm mais chance de crescimento, relevância e diferenciação. Isso inclui uma atuação ativa na cultura, propondo soluções e troca de valor em vez de relacionamentos transacionais.

2) Experiências interativas geram engajamento mais profundo com a marca

Marcas que transformam seus ativos em interatividade promovem mais engajamento e momentos memoráveis.  Essa ação envolve chamar o público para participar ativamente e, claro, implementar mecanismos de recompensa por esse envolvimento.

3) Parcerias com creators e ideias nativas constroem marcas

Mais do que uma simples #publi, os creators são defensores que agregam valor real à marca. Essa linguagem nativa conquista o público e garante a continuidade da mensagem, mesmo sem investimento em mídia.

Segundo a WARC, as marcas devem focar na integração no lugar da interrupção e encontrar o público onde ele naturalmente já engaja.

Sua marca já está seguindo esses passos?


🤝 O custo da IA pode ser muito alto ou muito baixo, dependendo do seu ponto de vista. Mas um custo que nunca decepciona é o tempo que você leva para ler o Bizi — de nada! Nos vemos na próxima edição.

Não perca nenhuma novidade!

Por aqui, você vai encontrar um resumo de tudo que está rolando no mercado, de forma prática, dinâmica, rápida e com um toque de humor

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