bizi | 11.07.25

A crise de reputação do Cannes Lions 2025 continua rendendo capítulos e consequências. Após o caso envolvendo a DM9 e Consul, agora é a Africa Creative quem admite ter exagerado dados no videocase da ação “Aluguel Brahma”, criada para a Ambev e premiada com um Leão de Ouro em Brand Experience.
A ação em questão, realizada durante o Carnaval, oferecia metade do valor do aluguel em troca da exibição de faixas nas sacadas com a frase: “Esse anúncio bancou o aluguel desse apê no Carnaval”.
O videocase divulgado afirmava que 2.350 faixas haviam sido instaladas em cinco capitais brasileiras. Mas, segundo apuração do UOL, os números foram bastante superestimados, assim como o valor pago ficou abaixo do prometido. A própria agência reconheceu o erro e admitiu ter “dado uma dimensão maior do que realmente aconteceu”.
A Ambev, por sua vez, afirmou que os dados do case são de responsabilidade da agência. Essa é a segunda vez que a marca e a Africa se veem envolvidas em polêmicas no festival deste ano.
A anterior foi com a campanha “One Second Ads”, que celebrava o fato de não pagar direitos autorais ao usar apenas um segundo de músicas populares. Após críticas, a dupla também pediu desculpas públicas.
Esse novo episódio vem somar à série de denúncias envolvendo videocases com dados distorcidos, inflados ou simplesmente inexistentes.
No epicentro está a campanha da DM9 para a Consul, que teve um Grand Prix cassado após o uso de IA para falsificar imagens e vozes, incluindo trechos da CNN Brasil e TED Talks. A agência acabou devolvendo 12 Leões e demitiu seu CCO, Icaro Doria.
A repercussão global levou Cannes a fazer o que parecia impensável: reformular suas próprias regras.
Em resposta à crise, o Cannes Lions anunciou o chamado Novo Padrão Global de Integridade Criativa, com validade a partir de 2026. As novas regras trazem mudanças importantes:

Com tudo isso, o Cannes Lions sinaliza que não vai mais tolerar o “vale tudo” criativo. E mais: coloca agências e marcas diante de uma realidade menos espetacular e mais responsável.
“A criatividade só tem valor se for crível”, afirmou Simon Cook, CEO do festival.
Na prática, o festival está desenhando um novo código de conduta global, não apenas para Cannes, mas para a indústria como um todo.
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