bizi | 17.06.25

No Bizi de hoje, trouxemos insights quentinhos que, mesmo vindos da gringa, passaram pela autenticação BR da redação para te mostrar o quanto são relevantes aqui. Nesta edição, você confere o Projeto GAIA, a trajetória das mulheres ao cargo de CEO, a chegada dos anúncios no WhatsApp, o poder das emoções no consumo e a criatividade como nosso superpoder.

Na semana passada, o Google anunciou uma novidade que deixou todos os entusiastas locais da IA animados: o Projeto GAIA, um modelo de IA autenticamente brasileiro.
Essa é uma parceria entre a equipe do Google DeepMind, a Associação Brasileira de Inteligência Artificial (Abria) e o Centro de Excelência de Inteligência Artificial (CEIA) da Universidade Federal de Goiás, com participação das startups Nama e Amadeus AI.
O GAIA tem o Gemma 3 como base, o modelo de IA generativa de código aberto mais avançado do Google atualmente, utilizado inclusive no Gemini.
De acordo com Mat Velloso, vice-presidente de IA para desenvolvedores do Google DeepMind, a ideia é que o GAIA seja “um modelo feito pelo Brasil e para o Brasil”. Isso significa que o projeto será todo otimizado para a realidade BR.
De fato, o GAIA já é realidade. O modelo está disponível gratuitamente no Hugging Face, plataforma colaborativa que disponibiliza modelos de IA pré-treinados, e já tem sua própria agenda de testes:
Para o professor Celso Camilo, do CEIA, essa adaptação para o pt-br trará soluções aprimoradas para as nuances linguísticas do nosso país. Afinal, o Brasil tem camadas e mais camadas de contexto cultural que, nem sempre, as ferramentas conseguem captar.
Segundo o Google, a criação do GAIA com base aberta, permitirá que qualquer um — de centros de pesquisa e startups a ONGs e desenvolvedores individuais — usem uma IA autenticamente brasileira para criar e adaptar soluções.
O Projeto GAIA foi anunciado durante o evento Google for Brasil, na última semana. Segundo Velloso, ele é parte do grande comprometimento da big tech com o Brasil para o país liderar na nova era da inovação.
E você, o que achou da novidade?

As mulheres são minoria no cargo de CEO. Isso todo mundo (que está por dentro da desigualdade de cargos) já sabe.
Mas uma pesquisa da Women’s Power Gap revelou que, diferente do que muita gente pensa, isso não tem a ver com suas qualificações e, sim, com um problema estrutural.
De acordo com o estudo “Barriers and Breakthroughs: A Data-Driven Look at Women CEOs at America’s Largest Corporations”, mulheres CEO têm tanto, se não mais, qualificações que seus colegas homens na mesma posição.
Mas, embora o caminho para o cargo se mostre similar, independentemente do gênero, segundo o report, existem etapas a mais na trajetória feminina:
Analisando a jornada profissional dos atuais CEOs do S&P 500 (as maiores empresas de capital aberto dos EUA), a Women’s Power Gap acabou com o argumento de que mulheres em cargos de CEO só chegaram lá com uma “ajudinha” das iniciativas de DE&I.
Para Silbert, mais do que reconhecer isso, “é preciso um esforço para ir além das redes tradicionais e reduzir os vieses nos processos de seleção” (Forbes).
Confira mais dados importantes do report:

De acordo com o relatório, o problema é sistêmico:
Primeiramente, as mulheres tendem a ficar estagnadas nos cargos de lançamento, uma posição antes do cargo de CEO. Segundo o estudo, elas têm 3x mais chances de estarem no penúltimo degrau da escada do que de alcançar o último.
Segundo que, além de precisarem ser mais qualificadas que os homens para ascenderem ao cargo de CEO, também não existe tanta urgência para promovê-las.
Por fim, o estudo também identificou que, ao contrário dos homens, geralmente, as mulheres são direcionadas para cargos menos ligados aos resultados da empresa, como RH, marketing e sustentabilidade. Consequentemente, cargos menos ligados ao CEO.
Segundo Silbert, os avanços das mulheres na liderança não foram concedidos, mas conquistados.
Agora que alcançamos o mínimo na igualdade de gêneros, não podemos nos contentar com o que já temos; é preciso ir além e sermos radicais: a equidade é urgente e não pede retrocessos, mas cada vez mais incentivos.

Uma das premissas de Jan Koum e Brian Acton, fundadores do WhatsApp, era não ter publicidade no app. Mas agora, 11 anos depois que Mark Zuckerberg adquiriu a plataforma (sim, já faz tudo isso!), isso está prestes a mudar.
Nesta semana, a Meta anunciou que os espaços Status e Canais do WhatsApp também vão contar com anúncios.
Essa é mais uma ação da big tech para facilitar a vida e desempenho dos negócios em seu ecossistema e, sejamos sinceros, aumentar seus ganhos com um de seus ativos mais lucrativos: os ads.
Segundo a Meta, com os anúncios nos Status, “você ajuda a sua empresa a chegar em novos clientes e permite que as pessoas iniciem uma conversa com você” (Blog do WhatsApp Business).
Além disso, a Meta também passa a permitir assinaturas dentro desse espaço, para receber conteúdos exclusivos — parecido com o que já acontece no Instagram e no concorrente Telegram.
Segundo a Fast Company, por enquanto a big tech não vai cobrar nada por essas assinaturas, mas futuramente pode acrescentar uma taxa de 10% aos donos dos canais.
Ambos os recursos ficam na aba Atualizações que, segundo a Meta, contam com mais de 1,5 bilhão de usuários todos os dias.
Para os novos recursos, a Meta divulgou que vai usar dados como localização (país ou cidade), idioma, tipo de dispositivo, canais seguidos e interações com propagandas. Além de dados de navegação nos outros apps da família (Instagram, Facebook e Threads), caso o usuário tenha conectado na Central de Contas.
De acordo com a empresa, o novo recurso não vai afetar na privacidade dos usuários, pois as conversas seguem com a proteção da criptografia.
A empresa garantiu que não vai compartilhar dados pessoais com as empresas e que essas informações vão continuar somente no WhatsApp.
Os anúncios no WhatsApp já estão valendo e a companhia afirmou que serão disponibilizados gradualmente em todo o mundo, incluindo o Brasil.
Com a chegada dos anúncios na aba de Atualizações, o WhatsApp pretende diversificar seus produtos e atrair mais marcas, é claro.
De acordo com Alice Newton-Rex, vice-presidente global de produto do WhatsApp, os anúncios eram um pedido recorrente das PMEs que já utilizam o app como canal de vendas e atendimento.
Aqui no Brasil, o WhatsApp tem 147 milhões de usuários ativos e as PMEs correspondem a 95% dos usuários do WhatsApp Business.
Mas, também segundo a companhia, a decisão de restringir a novidade somente a essa aba é estrategicamente para não interferir na experiência principal do WhatsApp: conversas e interações, inclusive com marcas, livres de anúncios.
E aí, gostou da novidade? E mais: essa sua opinião é como profissional ou usuário do app?
A big tech está lançando uma nova versão de seus óculos inteligentes, dessa vez, junto com a Oakley e especialmente para atletas.

É assim que o novo report da consultoria WGSN começa: definindo o poder das emoções nas decisões humanas e, portanto, porque as marcas precisam estar atentas a isso.
Para Nik Dinning, Vice-presidente de Marketing WGSN, entender os impulsos emocionais é essencial para o sucesso das marcas no futuro. Por isso, a nova análise de tendências da WGSN é sobre o “Consumidor do futuro 2027: emoções”, um guia de como desenvolver produtos que se conectam com os pensamentos, sentimentos e comportamentos do público.
De acordo com a WGSN, as emoções já estão capitalizando grandes marcas:
E exemplos assim não faltam.
Para comprovar que as emoções são o caminho para entender o consumidor, a WGSN monitorou e selecionou seis emoções impulsionadoras do comportamento e liberou uma amostra com 3 delas. Confira nosso resuminho Bizi:
O primeiro sentimento é uma reação ao estresse prolongado, tédio e desregulação, que dominaram os últimos anos. Essa alegria é estratégica porque os consumidores buscam por isso conscientemente, tanto na saúde pessoal quanto no trabalho.
O cenário global cada vez mais desafiador impulsiona os consumidores em direção de 3 principais sentimentos ligados à alegria estratégica:
Assim, em 2027 o foco será em hábitos e experiências mais saudáveis, conscientes e coletivas.
Descrito como uma “ânsia por se livrar de responsabilidades”, a desvontade atuará como um mecanismo de defesa para quem se sentir sob pressão.
Esse conceito foi cunhado por John Koenig, autor de O Dicionário de Tristezas Obscuras. O termo representa um antídoto pela exaustão e uma forma de encarar a vida com mais tranquilidade e menos exigências, mais laços significativos e menos solidão.
De acordo com o estudo, a desvontade é uma quebra de hábitos prejudiciais e uma forma das pessoas investirem melhor sua energia. Isso se aplica tanto ao trabalho, quanto aos relacionamentos e, claro, à nossa relação com a tecnologia (alô offline!).
Há anos a WGSN acompanha a evolução do otimismo. Ele se transformou de algo idealista para realista e racional nas últimas previsões. Em 2027 ele chegará a ser cético, principalmente com os impactos da IA e as contínuas ameaças de polarização e distorção online.
Ou seja, nossa relação já complexa com a tecnologia vai se complicar ainda mais, “oscilando entre a fascinação e a apreensão”.
Nesse cenário, a consultoria reforça a responsabilidade de creators e marcas em esclarecer (ou inflamar) questões sobre o futuro. Além de ajudar os consumidores a alcançarem o equilíbrio em meio a tudo isso.
Para ter acesso às outras três emoções previstas, é preciso solicitar uma demonstração da WGSN, o que você pode fazer a partir da apresentação da amostra, nesse link.
Agora, se quiser saber mais sobre o perfil do consumidor de 2027, temos esse resumo da apresentação da WGSN, no Web Summit Rio 2025.

O evento mais importante da publicidade mundial começou: a premiação do Cannes Lions 2025, que já estamos monitorando há algum tempinho aqui na news.
Em uma era de inteligência artificial e mais tecnologia do que nunca em nossas rotinas profissionais, trouxemos de lá um insight (e um incentivo) importantíssimo: o maior superpoder que temos sempre será o toque humano.
A frase é de Tor Myhren, VP de Marketing Communications da Apple, eleito Creative Marketer of the Year, que abriu o evento ontem (16).
O executivo falou sobre como o diferencial para construir um amor duradouro pelas marcas continua sendo a criatividade humana e nada pode substituir isso. O Meio & Mensagem divulgou um recorte da apresentação, caso você queira conferir.
E, claro, ele fez isso fazendo propaganda de um lançamento muito interessante da maçã. No final do ano passado, a marca lançou um recurso que transforma o AirPods em aparelhos auditivos de grau clínico. Segundo ele, o próprio pai, que tem perda auditiva, experimentou e aprovou a novidade.
O comercial em questão é o Heartstrings e, se você ainda não viu, indicamos fortemente que veja.
Segundo Myhren, a IA é revolucionária e estará presente em cada aspecto das nossas vidas. Mas ela não vai salvar a publicidade, a criatividade é quem tem esse papel.
✨ Depois dessa curadoria feita com criatividade, brasilidade, toque feminino e muitas emoções, nos despedimos por aqui. Não esqueça de avaliar a news aqui embaixo e dizer o que tá achando da nossa nova fase. Até o próximo Bizi!
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