data nossa de cada dia: O nível de transparência de dados nas principais redes sociais do Brasil 

bizi | 29.11.24

Por falar em internet e redes sociais, um relatório do NetLab UFRJ (Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro) juntamente com a Senacon/MJSP (Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça e Segurança Pública), mostrou que a transparência de dados nesses locais precisa crescer.

O relatório faz parte de um projeto dessas entidades sobre a desinformação e como isso impacta nas relações de consumo dos brasileiros.

Para isso, o NetLab criou dois indicadores:

  • O Índice de Transparência Digital (ITD);
  • E o Índice de Transparência de Publicidade (ITP).

Enquanto o ITD avalia critérios como acessibilidade, conformidade, consistência e relevância dos dados em redes sociais, o ITP avalia o nível de transparência e de qualidade dos dados de anúncios nessas plataformas.

E esses são os principais pontos do relatório:

Para Rose Marie Santini, professora da Escola de Comunicação da UFRJ e diretora do NetLab UFRJ, e Marcio Borges, pesquisador associado do NetLab UFRJ, a solução para ter mais transparência de dados deve ser uma busca coletiva, pois esse é um problema sistêmico, não individual.

De acordo com eles, a transparência também deve ser o mais simples possível, para facilitar sua adoção como norma. Mais uma vez inspirados pela regulamentação europeia, os pesquisadores acreditam que os anúncios também precisam ser acessíveis a todos:

“Os anunciantes, os consumidores ou qualquer agente externo ao processo, deve poder verificar todas as peças publicitárias que foram publicadas e pagas. Cabe às plataformas oferecerem meios de se obter acesso a esse material e os repositórios de anúncios oferecidos na Europa são um caminho bastante interessante.”
— Rose Marie Santini e Marcio Borges, NetLab UFRJ, para o Meio & Mensagem

E isso é importante até mesmo quando falamos em golpes online, que ficaram ainda mais sofisticados e convincentes nas redes sociais.

Santini e Borges acreditam que esse é mais um motivo para trazer mais observadores a esse ecossistema. Mas essa não é a única solução. Os pesquisadores também apostam na responsabilidade das plataformas sobre esse tipo de conteúdo.

E adivinha aonde isso esbarra? Sim, no Artigo 19 do Marco Civil da Internet, que falamos aqui em cima.

“É importante garantir que as big techs, como qualquer outra empresa, também se responsabilizem pela integridade dos seus serviços – que são basicamente oferta e recomendação de conteúdo e publicidade online – e ofereçam segurança para seus clientes: os consumidores e os anunciantes. (…) Esse debate precisa ser qualificado, sair da discussão ideológica, para que a sociedade e os agentes de mercado compreendam os riscos e as perdas financeiras que implicam ambiente online sem transparência e sem responsabilidade.”
— Rose Marie Santini e Marcio Borges, NetLab UFRJ, para o Meio & Mensagem

Vale lembrar que, segundo eles, essa não é uma forma de prejudicar a publicidade online ou o funcionamento das redes sociais, mas de beneficiá-las.

Com mais transparência, existe mais segurança e confiança nesses meios, o que consequentemente reflete no sentimento dos consumidores sobre as marcas que anunciam ali.

Por enquanto, uma das únicas medidas tomadas pelas plataformas são os selos digitais de autenticidade, mas para Santini e Borges, isso não tem sido suficiente.

Enquanto nos meios de comunicação, a publicidade é passível de observação, no meio digital ela é totalmente individualizada. As plataformas digitais conseguem entregar um anúncio só “para você” sem que haja registros disso para verificação. Segundo os pesquisadores, isso não é equidade.

“Com o que temos em mãos, buscamos demonstrar que ambientes com mais transparência tendem a ser mais éticos e mais seguros, ainda que tenham problemas. Acreditamos que o mercado anunciante e as agências devem começar a priorizar ambientes mais saudáveis de mídia e com menos riscos para suas marcas e consumidores.”
— Rose Marie Santini e Marcio Borges, NetLab UFRJ, para o Meio & Mensagem

Pelo jeito, quanto mais falamos em dados na internet, vemos mais claramente que ainda estamos muito distantes do ideal.

O que achou do relatório? Conta pra gente!

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