bizi | 08.07.25

Por aqui, a gente acompanha a economia por todos os lados, da arquibancada aos bastidores da tecnologia. Nesta edição do Bizi, falamos sobre como o futebol virou gasto fixo na vida do brasileiro, o que está por trás da desconfiança nos e-commerces, o desfecho de uma das maiores polêmicas do Cannes Lions 2025 e os riscos por trás da empolgação com agentes de IA. Vem entender como consumo, reputação e inovação estão (muito) mais conectados do que parecem.

Você já caiu em algum golpe?
Anúncios suspeitos, sites clonados e mensagens enganosas: os golpes no ambiente digital continuam se multiplicando e, infelizmente, afetando a confiança do consumidor em grandes plataformas de e-commerce.
Foi isso que a Branddi, empresa especializada em proteção digital, quis entender com uma nova pesquisa. O levantamento ouviu 500 pessoas, de todos os estados do Brasil, para mapear os marketplaces que mais geram desconfiança no público.

Confiança se reconquista com atitude
Segundo a pesquisa, as ações que mais ajudam a recuperar a credibilidade são:
Transparência, comunicação proativa e ações visíveis não são bônus. São o mínimo esperado por quem compra e indica.
A lição é clara: o consumidor está atento e quer ver ação. Não basta ter um SAC preparado, é preciso mostrar, com transparência e atitude, que a segurança vem em primeiro lugar.
Para conferir mais dados e insights sobre a pesquisa, clique aqui.

A indústria da publicidade ainda está digerindo os desdobramentos de um dos episódios mais comentados do Cannes Lions 2024. E a novidade da vez é que a Consul e DM9 encerraram oficialmente a parceria, dias após terem um Grand Prix cassado pelo festival.
O que aconteceu?
Para relembrar, a DM9 havia sido premiada com o Grand Prix de Creative Data por uma campanha criada para a Consul. No entanto, após a premiação foi descoberto que o vídeo enviado à organização simulava os resultados da ação com dados e que nunca ocorreram de fato, e usava inteligência artificial para criar essa narrativa.
O que, sem surpresa alguma, violou as regras do Cannes Lions, que exigem a apresentação de resultados reais, documentados e verificáveis.
A própria organização do festival emitiu um comunicado duro, afirmando que o caso “induz o júri ao erro” e prejudica a confiança da comunidade criativa global.
Antes mesmo da perda do prêmio, a DM9 já havia tomado medidas internas: Icaro Doria, CCO da agência desde 2022, foi desligado.
Com o Grand Prix cassado e a crise repercutindo internacionalmente, veio o desfecho mais que esperado: a Consul rompeu o contrato com a DM9. A informação foi confirmada por fontes ao propmark, embora nenhuma das partes tenha se pronunciado oficialmente até o momento.
Mas, por que isso importa?
Além do impacto reputacional para as marcas envolvidas, o caso acende um alerta sobre o uso de IA em peças criativas e os limites éticos da publicidade.
A discussão sobre transparência, responsabilidade e confiança nos dados apresentados em cases, especialmente em premiações, promete ganhar ainda mais força daqui para frente após esse episódio.
No Bizi, já falamos algumas vezes, mas é sempre válido repetir: a IA auxilia, sim, mas não pode e nem deve substituir a ética, principalmente quando estamos falando de criatividade, reputação e confiança.

Quando falamos que o futebol é parte da identidade brasileira, não é só força de expressão, é também realidade econômica.
Uma nova pesquisa da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box mostra que, para 81% dos brasileiros, os gastos com o esporte já fazem parte do orçamento mensal.
A maior parte dos torcedores investe até R$ 100 por mês, mas 9% afirmam gastar mais de R$ 300, especialmente com itens como:
As plataformas de streaming ou pay-per-view também entram nessa conta, representando 32% dos gastos. Valor esse que cresce quando os estádios, com ingressos cada vez mais caros, se tornam inviáveis.
Mesmo assim, 64% dos torcedores dizem se sentir parte da torcida assistindo de casa. Entre os principais canais de transmissão, estão:
O programa de sócio-torcedor aparece com participação mais tímida: apenas 15% dizem fazer parte de algum clube atualmente. Por outro lado, quase metade (47%) tem interesse em participar no futuro, o que sinaliza um caminho promissor (mas ainda subaproveitado) para engajamento e fidelização por parte dos clubes.
Entre os que se consideram fãs do esporte, 62% já foram a pelo menos um jogo profissional, e 65% têm planos de comparecer a partidas ou campeonatos nos próximos dois anos.
Desses, 53% já estão se organizando financeiramente para isso — com destaque para aqueles dispostos a investir entre R$ 1 mil e R$ 5 mil nessa jornada.
O levantamento também ajuda a traçar o perfil desses torcedores:
Segundo Felipe Schepers, COO da Opinion Box, o futebol entrou oficialmente na “cesta de consumo” do brasileiro.
E isso movimenta muito mais do que as arquibancadas: impacta o varejo, o entretenimento e, claro, o marketing.

Segundo o Gartner, mais de 40% dos projetos com agentes de IA devem ser cancelados até 2027. E não é por falta de potencial: o problema está nos custos altos, hype exagerado e maturidade operacional que ainda não chegou.
Hoje, a maioria desses projetos ainda está em fase experimental. De 3.400 profissionais ouvidos pela consultoria, só 19% afirmaram ter investimentos realmente relevantes na área.
E mesmo entre os fornecedores, só 130 empresas realmente oferecem soluções que se enquadram como IA agêntica.
As dores vão desde a ausência de infraestrutura até a falta de ROI claro. Em muitos casos, é preciso repensar processos inteiros antes de automatizar com IA. E quem não faz isso, trava, perde orçamento e… cancela.
Mas nem todos os dados são negativos. O próprio Gartner prevê que, até 2028, 15% das decisões rotineiras nas empresas serão tomadas por agentes de IA. E um terço dos aplicativos corporativos vai integrar essa tecnologia.
O segredo está em fugir da modinha e focar em usos com impacto real, como automação de fluxos complexos, decisões rotineiras e produtividade empresarial. Tudo isso, claro, com base em dados, estratégia e uma boa dose de realismo.
Bom, uma coisa ficou clara, quando o assunto é IA, menos buzz e mais estratégia pode fazer toda a diferença.
🎯 Entre paixões que movimentam bilhões, marcas que precisam reconquistar a confiança do consumidor e os limites éticos da criatividade publicitária, essa edição do Bizi mostrou que nem só de boas campanhas vive o marketing, infelizmente. A gente se encontra na próxima news, de preferência, com menos polêmica. Até lá!
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