última news: O futuro da publicidade

bizi | 24.06.25

O futuro da publicidade, campanhas do Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, ChatGPT vs. capacidade cognitiva e muito mais

Diretamente dos cases do Cannes Lions 2025 e do primeiro mês de junho com menos campanhas do Orgulho LGBTQIAPN+ em muito tempo, trouxemos insights quentinhos sobre o futuro do mercado — ou de como ele deveria ser. Vem conferir as tendências da publicidade segundo o B9, a queda das campanhas do Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, uma pesquisa do MIT sobre o uso de ChatGPT e muito mais.


Antes da news de hoje começar, um aviso importante: amanhã e quinta-feira (dias 25 e 26) estaremos no CMO Summit 2025 com a Layer Up, uma das principais patrocinadoras do evento este ano.

Por isso, pode esperar uma news especial nos próximos dias e, dessa vez, você pode conferir a cobertura do evento no perfil da Layer Up no Instagram e também nas outras redes da agência (linkados na bio do perfil).

Nos vemos por lá! 


PREVISÃO DO MERCADO: 8 tendências de publicidade baseadas nos prêmios do Cannes Lions 2025

Na última semana, aconteceu a premiação mais importante da propaganda mundial, o Cannes Lions 2025.

A festa é global, mas não tem como passar despercebido aos cases brasileiros: neste ano, foram 107 leões, incluindo 6 Grand Prix, o prêmio máximo do festival, e o reconhecimento inédito de Creative Country of the Year — a Layer Up falou mais sobre o título aqui

E falando em Grand Prix, o portal B9 fez uma seleção de tendências de publicidade, com base nos 30 cases que levaram esse prêmio. 

“A análise a seguir cruza todas as conferências com os presidentes de júri, suas métricas favoritas e as ideias que conquistaram Leões de ponta a ponta na Croisette, em Cannes Lions 2025.”
— B9

Assim, trouxemos as 8 megatendências da publicidade, segundo o B9.

1. Serviço antes da propaganda

Destaque para campanhas que, de fato, resolvem um problema — e não apenas falam sobre ele. O ponto principal aqui é o alinhamento entre solução, impacto social e resultados para o negócio.

Esse foi o caso da campanha “Lucky Yatra”, da companhia ferroviária Indian Railways. Ao notar que muitas pessoas embarcavam sem pagar (41%, para ser mais exatos), a companhia criou uma premiação, como a das loterias locais, na qual o número da sorte estava na passagem. 

Resultado? US$ 1,4 milhões de dólares gastos em prêmios geraram US$ 685 milhões em vendas de passagens. Um ROI de 490:1, investidos de volta na malha ferroviária para melhorar o sistema.

“Buscávamos soluções reais para problemas reais. Criatividade lançada no mundo como serviço.”
— Tom Beckman, presidente de PR Lions

2. Propósito de longo prazo = vantagem competitiva

Na análise da B9, duas marcas se destacaram neste quesito: Apple, que criou o movimento #ShotOniPhone há 10 anos, e Dove, com 20 anos de investimento contínuo em autoestima.

A consistência (não só da marca, mas das campanhas em ambas) provou que as marcas acumulam valor cultural e comercial ao repetir o mesmo discurso.

No caso da Dove, o discurso é o da beleza além dos padrões. Em uma era de IA dominada por imagens de beleza hiper-editadas e totalmente distantes da realidade, a campanha “Real Beauty” hackeou o algoritmo do Pinterest e substituiu essas imagens por fotos reais de usuárias que usaram a tag “Real Beauty Pledge”.

Para citar só alguns resultados, foram mais de 4 bilhões de impressões, mais de 500 milhões de views no mundo todo e 94% de sentimento positivo em relação à marca.

3. Inclusão e acessibilidade como critério decisivo

Tornar algo acessível ou incluir mais pessoas na conversa não é mais um diferencial, mas uma necessidade — tanto do festival quanto do mercado.

É por isso que campanhas como a “Caption with Intention” e a brasileira “Nigrum Corpus” conquistaram seus leões este ano. 

Enquanto a primeira modernizou e animou as legendas de filmes em 196 idiomas, pensando na experiência de pessoas com deficiência auditiva, a segunda criou um livro detalhado e interativo, sobre uma doença nunca antes estudada: o racismo.

O video case de Nigrum Corpus, desenvolvida pela Artplan para a escola de medicina IDOMED, termina com uma assinatura que cabe muito bem aqui:

“Se o racismo é a doença, a educação é a cura.”
— Nigrum Corpus, Artplan + IDOMED

4. Dados e tecnologia viram motor da ideia

Longe de ser uma disciplina teórica e fria, os dados tem se mostrado cada vez mais relevantes para despertar ideias e transformar realidades. Segundo a B9, nesta edição, ganharam os cases que conseguiram usar algoritmos para criar experiências.

Um ótimo exemplo é o case também brasileiro “The Amazon Greenventory”, da Africa Creative para a Natura, que usou um sistema de drones e IA para mapear 400 km² da floresta amazônica — um trabalho que levaria 25 anos para ser feito, mas foi possível em 6 meses.

Provendo esses dados para os moradores locais, que vivem da agricultura, o inventário conseguiu diminuir o corte de árvores ao oferecer a colheita de frutas nativas como forma de sustento.

De acordo com a campanha, a Natura conseguiu criar um “win-win-win cicle”: 46 mil pessoas das comunidades locais foram beneficiadas, 400 km² de floresta está mais protegida, e a Natura identificou 44 novos bioingredientes para inovar em seus produtos.

5. Entretenimento é a nova propaganda

Não é à toa que o Cannes Lions tem uma categoria dedicada só para isso (Entertainment Lions). Segundo o B9, os cases que seguem essa tendência não só chamam a atenção como atraem também resultados.

Destaque para a Hyundai, com o case “Night Fishing”, um curta-metragem de 17 minutos totalmente gravado com câmeras IONIQ, presentes nos carros da montadora. Além de ser convidado para 4 festivais de filmes internacionais, o curta atraiu a atenção das pessoas para as câmeras IONIQ ao vender ingressos por US$ 1 nos cinemas.

Isso aumentou em 126% as visitas à concessionária e 155% os test drives da marca, além de gerar 98% de sentimento de marca e a maior preferência de marca desde o lançamento do sistema IONIQ

“A união perfeita de humanismo e tecnologia, sem jamais pesar a mão no produto.”
— David Rolfe, head de produção da Hogarth e presidente do júri Entertainment Lions

6. O humor desarma tabus

Como falar de um problema de saúde sem soar alarmista e fazendo com que as pessoas realmente prestem atenção? Faça uma piada.

Foi exatamente o que aconteceu na campanha “The Best Place In The World to Have Herpes”, criada pela Finch Sydney e Motion Sickness Auckland para a New Zealand Herpes Foundation.

A campanha criou a primeira competição de “desestigmatização” do mundo, usando celebridades nacionais para falar sobre a herpes. O objetivo era fazer a Nova Zelândia subir no ranking qualitativo de educação sobre a doença e em 8 semanas eles conseguiram: da 9ª posição para a 1ª, com mais de 10 mil horas de lições assistidas, 64% das pessoas buscando testes ou informação médica e 86% das pessoas dizendo que agora se sentem confortáveis para falar sobre a doença.

O “Curso de Desestigmatização” inclusive está sendo testado para entrar na grade do high school no país.

“Alegria como arma contra o estigma é o antídoto perfeito para a desinformação em saúde.”
— David Ohana, diretor de criatividade da ONU e porta-voz do júri que concedeu o Grand Prix for Good

7. Comércio criativo e ROI instantâneo

De acordo com o B9, não basta conseguir awareness, é preciso transformar essa audiência em caixa. Ou seja, campanhas que comprovam que a publicidade realmente move o ponteiro dos negócios tem um espaço reservado no futuro da indústria.

Foi assim que a campanha “Act Like You Know”, da GoDaddy dobrou tráfego para o site Airo, um assistente de IA que permite criar sites e conteúdos, ao criar um e-commerce inteiro “só” para um comercial no SuperBowl. A campanha gerou US$ 1,6 bi em valor de mercado para a marca.

Ou também a campanha “Preserved Promos”, da Ziploc, que reativou cupons de desconto expirados na compra de um item Ziploc para 1) ajudar os consumidores em um período de alta inflação no preço dos alimentos e 2) reforçar o principal atributo da marca: preservar a comida. A ação gerou mais de 2 bilhões de impressões e aumento de 5% nas vendas e 14% no número de compradores.

“Queríamos cases que nos deixassem orgulhosos da indústria.”
— Gabriel Schmitt, Global CCO da Grey e presidente do júri de Creative Commerce

8. Colaborações de alto nível reescrevem patrocínios

O sinônimo de luxo já não é mais o mesmo e já falamos sobre isso no nosso e-book de tendências. Mas com essa tendência, o B9 quis mostrar que outros conceitos também estão ganhando novos significados e as parcerias estratégicas são peças-chave nesse contexto.

A LVMH, império de mais de 70 maisons de luxo (como Louis Vuitton, Dior e Chaumet), foi a primeira patrocinadora premium das Olimpíadas de Paris 2024 e se colocou como “co-produtora criativa”, tornando sua presença palpável em diversos pontos do evento, mesmo sem quebrar as regras dos jogos, de não exibir patrocínios ou marcas.

A campanha “THE PARTNERSHIP THAT CHANGED EVERYTHING”, contou com 138h de transmissão par ao mundo todo e gerou um aumento de 36% na percepção de marca.

E por falar em jogos, vale muito a pena destacar a campanha da Channel 4 para os Jogos Paralímpicos de Paris 2024, “Considering what?”, que mostrou de um jeito afiadíssimo como os atletas paralímpicos querem competição e não pena. 

Os princípios da publicidade do futuro

Por fim, o B9 listou 4 principais pontos que resumem todas essas tendências:

  • Criatividade precisa ser útil, as campanhas precisam ser incríveis, mas também solucionar problemas e causar impacto real.
  • Consistência estratégica é tão importante quanto ter uma sacada genial.
  • Dados, IA e craft (o “artesanal raiz” da propaganda) agora caminham juntos e um não funciona sem o outro. Segundo o B9, “algoritmo sem emoção é planilha; emoção sem dado é fogo de artifício”.
  • ROI explícito só é uma boa campanha quando traz bons resultados e, de preferência, um ROI que brilhe aos olhos mais do que a ideia. 

+ Cannes Lions 2025:

O portal acompanhou toda a premiação e deixou os artigos reunidos nessa página, para quem quiser se aprofundar nesta edição.

E nessa lista do Meio & Mensagem, você encontra todos os cases brasileiros premiados também nesta edição. Sempre bom para renovar as referências e relembrar o quanto é bom ser criativo no Brasil.


DATA NOSSA DE CADA DIA: 90% menos campanhas do orgulho LGBTQIAPN+ 

Notou alguma coisa diferente neste mês de junho? Conhecido como o Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, que já falamos em outros anos aqui no Bizi, em 2025, ele ficou mais tímido.

Ao invés das campanhas por todos os lados, de marcas que celebram a comunidade e se engajam na luta por direitos, houve uma redução perceptível em ações nesse sentido.

De acordo com Fátima Pissarra, CEO da agência de marketing de influência Mynd, “a contratação de influenciadores da comunidade LGBTQIAPN+ caiu cerca de 90% nos últimos três anos.” (Bring Me Data). 

Isso pode ser um reflexo do movimento internacional (principalmente norte-americano) em reduzir iniciativas e ações de DEI, mas também é um fator social brasileiro.

Segundo a CEO, desde as eleições presidenciais de 2022, que “setaram” de vez a polarização política do nosso país, as marcas encaram esse posicionamento como um investimento de alto risco.

“A gente vê claramente esse receio das marcas em contratarem [minorias como porta-vozes] e ficar parecendo para o público que é uma contratação para tender a um lado político. Aí a marca começa a ser atacada.”
— Fátima Pissarra, CEO da Mynd

Segundo Fátima Pissara, as marcas estão mais cautelosas em relação às campanhas envolvendo a comunidade LGBTQIAPN+, principalmente nas redes sociais, onde qualquer assunto pode virar polêmicas e cancelamentos.

Apesar da queda no número de ações e marcas favoráveis, outros grandes nomes marcaram presença na Parada este ano. Alguns exemplos são Sephora, Philip  Morris, Accor, Banco do Brasil, Sympla e Hapvida. 

Vale lembrar que, segundo o Monitor do Debate Político, a 29ª edição, realizada no último final de semana, reuniu cerca de 48 mil pessoas.

Como o próprio tema da Parada do Orgulho LGBT+ deste ano diz: “ser LGBT+ é resistir à tentativa de apagamento”. Isso também diz respeito à nossa conscientização sobre essa causa, seja na publicidade ou no dia a dia.

Mais do que nos preocupar se rostos dessa comunidade estão estampando campanhas, é preciso garantir que eles estejam seguros, protegidos por uma lei que cuida de todos igualmente, embora nem toda a sociedade enxergue dessa forma.

A história LGBTQIAPN+ importa porque pessoas importam. Essa não deveria ser uma pauta de discussão política ou ideológica, mas um consenso de todos que prezam pela vida humana.


DEU RUIM: O ChatGPT pode fazer mal ao seu cérebro

Alerta: essa editoria não tem o propósito de te convencer a não usar inteligência artificial. Mas acreditamos que, tão importante quanto saber os pontos positivos de uma tecnologia ou metodologia, é entender ela por dentro.

Esclarecimentos feitos, escolhemos trazer esse estudo do MIT sobre o efeito do uso de ChatGPT no cérebro humano para mostrar que talvez o preço que você paga por usar a IA indiscriminadamente agora poderá ser cobrado lá na frente.

A pesquisa, com 54 participantes entre 18 e 39 anos, analisou o uso do chat em 3 situações: sozinho, com outras ferramentas e como complemento.

“O objetivo principal era avaliar como essas diferentes abordagens influenciam o engajamento cerebral e a qualidade do aprendizado.”
— Canaltech

Em todas as situações, os participantes tiveram que escrever textos e os resultados comprovam algo que alguns já suspeitavam:

Quem usou o ChatGPT desde o começo

Participantes demonstraram menor atividade cerebral, menor desempenho e suas redações foram consideradas pouco originais. As expressões e ideias foram consideradas repetitivas — já diriam os travessões e emojis, que já viraram meme no LinkedIn. 🤷‍♀️ 

O MIT descobriu que o uso precoce (quando você pede ao chat para fazer algo antes mesmo que você comece) e excessivo pode gerar uma “dívida cognitiva”, ou seja, perda na capacidade de aprendizado e memorização. 

No estudo, isso aconteceu especialmente quando esse grupo precisou reescrever um ensaio sem a ajuda da IA. Basicamente, eles não conseguiram se lembrar de uma única frase do que escreveram anteriormente.

Quem usou o ChatGPT como complemento

Já os outros dois grupos mostraram maior engajamento neural e mais satisfação com suas produções, segundo o Canaltech. Eles usaram o ChatGPT junto com o Google, ou somente para complementar informações após terem escrito o texto sozinhos.

Vale ressaltar que esse é um dos primeiros testes nessa área e, portanto, os resultados são preliminares e não decisivos sobre o uso de IA. Mas também vale ficar de olho na forma como estamos usando a ferramenta, seja o ChatGPT ou qualquer outra.

Embora o uso em pessoas muito jovens possa prejudicar sua capacidade cognitiva e precise de atenção, o uso consciente e estratégico pode justamente expandi-la.

No estudo, quem usou o ChatGPT depois da escrita solo demonstrou aumento da atividade em todo o cérebro.

A pesquisadora Danielly Fonseca, do perfil @escritamestre sugeriu que o futuro é um trabalho híbrido: “comece com sua própria cognição e, em seguida, aplique IAs para aprimorar, não substituir”

+ Sobre a IA:

O novo projeto do apresentador Luciano Huck é o IAV, Instituto Inteligência Artificial de Verdade. A proposta é tornar os conceitos da IA mais acessíveis à população geral, para que possam reconhecer conteúdos feitos com a tecnologia.

De acordo com o instituto, o propósito é “contribuir para o letramento digital e ampliar o acesso ao entendimento e ao uso consciente da IA. Queremos descomplicar. Traduzir o jargão técnico para uma linguagem simples, acessível e direta”.

Inclusive, o lançamento do projeto foi com um vídeo feito com ideias 100% humanas e execução 100% com IA


✨ Depois dessa news cheia dos melhores desejos para o nosso mercado e as pessoas que o compõem, ficamos por aqui. Voltamos na sexta-feira, com insights quentinhos diretamente do CMO Summit 2025, junto com a Layer Up.

Não perca nenhuma novidade!

Por aqui, você vai encontrar um resumo de tudo que está rolando no mercado, de forma prática, dinâmica, rápida e com um toque de humor

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