bizi | 15.07.25

Empreendedorismo feminino, dados como aliados, publicidade digital na mira do Conar, IA vs. humanização e muito mais. Na edição de hoje, a gente conecta os principais movimentos que estão moldando o marketing, o varejo e a reputação das marcas.

Nova pesquisa da Cielo mostra que, embora 73% dos gestores usem dados para impulsionar negócios, o uso ainda é limitado e pouco estratégico.
Basicamente, no discurso, quase todo mundo já entendeu: tomar decisões com base em dados deixou de ser diferencial e virou pré-requisito. Mas, na prática, essa é uma realidade distante.
Segundo pesquisa realizada pela Cielo em parceria com a Expertise, 73% dos gestores já utilizam dados no dia a dia, mas 57% ainda não adotam ferramentas estratégicas, como análise da concorrência ou pesquisa de mercado. Ou seja: há uso, mas falta profundidade.
Onde os dados já fazem diferença
Quando os dados entram em cena no varejo, eles não ficam restritos ao planejamento. Na verdade, eles estão moldando decisões de ponta a ponta, desde a precificação ao atendimento.
Segundo o levantamento, esses são os principais usos de dados no comércio hoje:
Apesar desse cenário promissor, o uso ainda está concentrado em frentes operacionais, o que reforça a oportunidade (e a necessidade) de dar um passo além, com uso mais estratégico, preditivo e orientado, sobretudo, à performance.
Vale destacar que mesmo com o uso espalhado pelas áreas de Vendas (89%), Marketing (85%) e CX (82%), menos da metade das empresas (47%) tem alguém dedicado à análise de dados.
IA generativa no radar
Mais da metade dos entrevistados (52%) acredita que os dados serão indispensáveis para a tomada de decisões nos próximos 5 anos, e 49% apontam a IA generativa como uma tecnologia com alto potencial de impacto.
Nesse contexto, a IA pode ser uma ponte importante para democratizar o acesso à inteligência analítica, traduzindo dados em decisões práticas.
Redes sociais como fonte de dados?
Sim, e isso levanta um alerta.
22% dos gestores usam redes sociais como principal fonte para guiar decisões de negócio, superando até sites de notícia e entidades especializadas.
No entanto, embora existam conteúdos qualificados, o risco da desinformação ou da falta de contexto também é alto. E com a chegada da IA, isso tende a se intensificar. Não por acaso, a conscientização das equipes sobre boas práticas no uso dos dados é, inclusive, prioridade para 55% das empresas.

Segundo a pesquisa Transformação Digital nos Pequenos Negócios 2025, do Sebrae, 44% dos empreendedores já utilizam algum tipo de IA. Mas, ao analisar o recorte por gênero, o protagonismo feminino chama atenção: as empreendedoras têm liderado o uso de diversas soluções tecnológicas para melhorar produtos, comunicação e atendimento ao cliente.
Destaques da pesquisa:
Esse avanço aponta para uma familiaridade crescente das mulheres com ferramentas digitais e para um olhar estratégico sobre o uso da IA como aliada na experiência do cliente, na personalização de ofertas e no fortalecimento da marca.
O que também influencia na adoção da IA:
A pesquisa mostra que o uso das ferramentas também cresce conforme:
Entre as ferramentas mais usadas no geral estão:
A pesquisa reforça que a transformação digital está mais acessível e sendo, de fato, incorporada na operação dos pequenos negócios, e que as mulheres estão na linha de frente dessa mudança.

O relatório anual produzido pelo escritório Kasznar Leonardos, obtido com exclusividade pelo Valor Econômico, revelou um cenário que precisa entrar no radar de quem investe em campanhas digitais: o número de denúncias no Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) cresceu 14% em 2024, e a internet virou o epicentro dos conflitos entre publicidade, ética e regulação.
E mais: esse crescimento está fortemente atrelado a dois fatores: o aumento do consumo de conteúdo digital comercial disfarçado e a dificuldade das marcas em garantir transparência nas parcerias com influenciadores.
O setor de apostas, em especial, é um símbolo dessa virada de chave. Com uma legislação ainda em adaptação e uma explosão de conteúdo patrocinado por influenciadores, as campanhas de “bets” têm liderado os casos mais graves, como:
E a publicidade de bebidas e cosméticos também entrou na mira, especialmente quando veiculadas com efeitos visuais que induzem ao erro, ou em ambientes frequentados por menores.
Das 244 representações julgadas:
Ou seja: mais da metade dos casos terminou com algum tipo de sanção.
Além das representações formais, o núcleo preventivo do Conar disparou:
Essas ações não dependem de denúncia externa. São fruto de monitoramento ativo e automatizado feito pelo próprio conselho — e que ganhou reforço tecnológico em 2024.
As exigências de conformidade estão crescendo. A lógica do “publica primeiro, responde depois” já não se sustenta num ambiente cada vez mais regulado, monitorado e denunciado por consumidores cada vez mais atentos, que, inclusive, representaram 64,6% das denúncias feitas em 2024.
Além disso, a intersecção com influenciadores se torna um ponto sensível e estratégico:
“Essa associação foi determinante para a expansão da indústria [de apostas] e aumentou significativamente os riscos éticos e jurídicos”, explica Fernanda Magalhães, especialista do Kasznar Leonardos.
Se o digital é o território mais fértil da comunicação hoje, é justo que ele também seja o mais vigiado. Responsabilidade criativa, regras claras nas parcerias e um olhar atento ao que configura publicidade são, agora, peças-chave na gestão de reputação da sua marca.

Nova pesquisa da Ipsos mostra que 62% dos brasileiros preferem campanhas feitas por pessoas, mas já reconhecem o impacto crescente da inteligência artificial na comunicação.
A discussão sobre o uso da IA em conteúdos publicitários tem ganhado novas camadas. De um lado, a tecnologia avança em ritmo acelerado e se consolida como ferramenta estratégica. De outro, o consumidor ainda valoriza, e muito, o fator humano na criação de campanhas e materiais.
Essa é a principal conclusão do AI Monitor 2025, pesquisa global da Ipsos realizada em 30 países, incluindo o Brasil. O estudo mostra que, mesmo diante da rápida adoção da IA no marketing e na comunicação, a preferência pelo conteúdo criado por pessoas continua predominante.

O alerta para as marcas:
A Ipsos chama atenção para um ponto-chave: não existe uma fórmula única. O uso responsável da IA passa por três pilares que podem (e devem) guiar as marcas:
Como afirma Priscilla Branco, diretora de public affairs da Ipsos Brasil, o desafio não está apenas em adotar a tecnologia, mas em garantir que ela esteja alinhada à reputação, aos valores e à responsabilidade social das empresas.
Você pode baixar o estudo completo (em inglês), aqui.
👋🏽Seja na régua da IA, na lupa da regulação ou no dia a dia de quem empreende, o cenário exige mais do que adoção tecnológica: exige intencionalidade, clareza e, sobretudo, responsabilidade. Até o próximo Bizi.
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