view e review: Brain rot é a palavra do ano do dicionário Oxford

bizi | 06.12.24

Todos os anos, por volta dessa época, diversos veículos de comunicação fazem suas retrospectivas.

Às vezes, elas resultam em lembranças positivas, outras vezes em descobertas peculiares sobre o comportamento humano. Na nossa opinião, a palavra do ano, escolhida pelo dicionário Oxford para 2024, é o segundo caso.

Brain rot — que, na verdade, é uma expressão — significa “podridão cerebral”. Nem um pouco agradável, não é mesmo? Mas, infelizmente, faz sentido.

Essa é uma expressão usada para aqueles momentos em que sentimos o cérebro “cansado”. Alguns até falam que o cérebro está derretendo ou superaquecendo. Com a gigantesca quantidade de dados e informações que lidamos diariamente hoje, isso não é raro de acontecer. Você já sentiu isso também?

Brain rot em dados 

Ao contrário do que parece, essa não é uma palavra recente, mas os dados explicam porque ela ganhou destaque em 2024.

  • O primeiro registro de “brain rot” vem de 1854, quando o filósofo Henry David Thoreau usou o termo no livro “Walden” para descrever a superficialidade intelectual de sua época;
  • De acordo com o dicionário de Oxford, o uso do termo aumentou 230% em 2024, em relação ao ano anterior;
  • A escolha da palavra do ano é feita por uma votação popular a partir dos termos pré-selecionados pela Oxford Languages. Brain rot ganhou 37 mil votos.

Uma palavra, várias camadas

Além da tradução literal, o termo reflete algo bem mais específico: nosso comportamento nas redes sociais

Com feeds algoritmicamente calculados para nos manter por lá, o tempo que passamos nesses espaços aumenta cada vez mais. E isso não é exatamente produtivo.

“Brain rot é aquela sensação de que sua mente está apodrecendo, ou, pelo menos, enfraquecendo, devido ao consumo excessivo de conteúdo superficial. Se você já passou horas assistindo vídeos bobos no TikTok ou no YouTube, provavelmente já sentiu essa sensação.”
— Mega Curioso

Longe de nós criticarmos as redes sociais — até porque, estamos por lá também. Mas faz parte do uso saudável dessas plataformas entender que elas também podem ser nocivas.

Como tudo isso reflete em 2024?

De acordo com os especialistas, essa sensação vai além de algo momentâneo. Quanto mais tempo passamos “apodrecendo nosso cérebro” com essa prática, mais isso tem chances de interferir na nossa capacidade cognitiva e bem-estar psicológico.

Ainda segundo a Forbes, “as dinâmicas de algoritmos e redes sociais interferem diretamente na memória, concentração e capacidade de absorção de informação”.

Não à toa, existem diversas tentativas de impedir esse comportamento vicioso em crianças e adolescentes, mais vulneráveis a esses efeitos.

“Em julho deste ano, o livro Geração Ansiosa, do Jonathan Haidt, serviu como um divisor de águas para essa discussão. Vivemos em um momento de inflexão no consumo de conteúdo em redes sociais. Um desafio de pais e educadores em lidar com um consumo excessivo e desenfreado por crianças e adolescentes de conteúdo.”
— Andrea Janer, fundadora e CEO da Oxygen e especialista em tendências comportamentais

Para a executiva, a escolha da palavra do ano é, na verdade, um alerta. Devemos ser mais conscientes no nosso consumo — e isso inclui as redes sociais, mas não somente elas. 

E agora um adendo da redação: a decisão da Oxford Languages também serve para ponderarmos melhor, enquanto profissionais, quanto estamos incentivando um uso racional e saudável das redes, ou quanto estamos contribuindo para adoecer nosso público.

Daqui para frente, essa é uma reflexão cada vez mais necessária.

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